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Vega

A estrela-padrão do céu, com um disco de poeira ao redor

Outros nomes e designações: Alfa Lyrae, α Lyr, HD 172167, HIP 91262, 3 Lyrae

Melhor época no Brasil: Junho a setembro, no início da noite; culmina em julho, baixa no norte para o Sul do Brasil e mais alta no Norte

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Duas imagens infravermelhas em falsa cor mostrando um disco redondo e difuso de poeira ao redor de um ponto central brilhante, a estrela Vega.
O disco de poeira de Vega visto no infravermelho pelo Telescópio Espacial Spitzer, em 24 e 70 mícrons; a estrela fica no centro. Crédito: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona (Domínio público (NASA)). Fonte: science.nasa.gov/photojournal/tiny-particles-so-far-away.

Visão geral

Vega é uma das estrelas mais importantes da história da astronomia, embora para quem observa do Brasil ela nunca suba muito no céu. É a estrela mais brilhante da pequena constelação da Lira e a quinta mais brilhante do céu noturno, com luz branca e firme. Durante mais de um século ela foi a régua de todo o sistema de magnitudes: por definição, seu brilho era o zero da escala, e todas as outras estrelas eram medidas em comparação com ela.

Além do papel de padrão, Vega é um objeto fascinante por si só. Ela gira tão depressa que está perto de se despedaçar, é cercada por um enorme disco de poeira que lembra o Cinturão de Kuiper do Sistema Solar e, por causa do bamboleio do eixo da Terra, foi e voltará a ser a estrela polar do hemisfério norte.

Características

Vega é uma estrela de tipo espectral A0 V, quente e branca, com cerca de 2,15 massas solares. Está na sequência principal, queimando hidrogênio no núcleo, mas estrelas dessa massa vivem muito menos que o Sol: a idade estimada de Vega fica entre 450 e 700 milhões de anos, e ela já percorreu uma parte considerável da sua existência.

Medidas interferométricas publicadas na revista Nature em 2006 mostraram que Vega gira a cerca de 93% da velocidade em que a força centrífuga a destruiria. Por isso ela é achatada, com o equador mais largo e mais frio que os polos. Esse achatamento era invisível porque vemos Vega quase exatamente pelo polo, o que também explica por que seu brilho e sua cor serviram tão bem como padrão: olhamos sempre para a mesma face, a mais quente e brilhante.

O Telescópio Espacial Spitzer, da NASA, fotografou em 2005 o disco de poeira de Vega no infravermelho. O disco é grande, liso e circular, e se estende a pelo menos 815 unidades astronômicas da estrela, cerca de 20 vezes a distância de Plutão ao Sol. A maior parte dos grãos tem apenas alguns milésimos de milímetro e, segundo os autores, provavelmente nasceu de colisões entre corpos grandes, talvez do tamanho de Plutão, em uma região próxima a 90 unidades astronômicas da estrela. O disco de Vega é um dos exemplos mais estudados de sistema planetário em formação ou em fase de "limpeza" de entulho.

Onde fica no céu

Vega está na Lira, uma constelação pequena mas fácil de reconhecer: um paralelogramo de estrelas fracas pendurado logo abaixo de Vega. Nas noites de inverno brasileiro, procure-a na direção norte, relativamente baixa, por volta das 21h em julho. Ela forma, com Deneb (no Cisne) e Altair (na Águia), o chamado Triângulo de Verão do hemisfério norte, que para nós é um triângulo de inverno visível a norte.

Com declinação de quase +39°, Vega é uma estrela claramente boreal. Vista do Brasil, ela nunca passa pelo zênite; sua altura máxima cai cerca de um grau para cada grau de latitude a mais ao sul, e no extremo sul do país ela fica a pouco mais de 20° acima do horizonte norte.

Como observar

Orientação geral, não previsão. As indicações de época e altura valem para o Brasil em geral e para o início da noite. Para a posição exata na sua cidade, data e horário, consulte um planisfério ou aplicativo de planetário, como explicamos em Como ler um mapa celeste.

A olho nu, Vega é um ponto branco brilhante. Como está baixa para a maior parte do Brasil, ela costuma cintilar e, perto do horizonte, pode parecer avermelhada por causa da atmosfera, o que surpreende quem espera uma estrela branca. Em binóculos, o paralelogramo da Lira e a cor branca de Vega ficam mais evidentes.

O disco de poeira só é visível no infravermelho, com telescópios espaciais; nenhum instrumento amador o mostra. O que vale a pena procurar na mesma região é a Nebulosa do Anel, entre as duas estrelas da base do paralelogramo, um alvo clássico para telescópios pequenos e médios.

A partir do Brasil

Norte e Nordeste

O Norte e o Nordeste são as melhores regiões do Brasil para ver Vega. Em Belém ela chega a cerca de 50° de altura, em Fortaleza a cerca de 47° e em Salvador a cerca de 38°, sempre na direção norte. De junho a setembro, no início da noite, ela está bem posicionada, e o período seco da maior parte da região coincide com essa janela.

Centro-Oeste e Sudeste

Em Brasília e Goiânia, Vega alcança cerca de 35° de altura; em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, cerca de 28°. Ainda é fácil de ver, mas convém escolher um local com horizonte norte livre. A melhor janela vai de junho a agosto, nas noites secas e límpidas do inverno, quando ela está mais alta logo depois do anoitecer.

Sul

No Sul, Vega é uma estrela baixa: em Porto Alegre ela sobe a apenas cerca de 21° de altura, e em Curitiba a cerca de 27°. A turbulência perto do horizonte faz com que cintile bastante. Procure um ponto elevado com vista desimpedida para o norte, de junho a agosto, por volta das 21h.

Limitações e cuidados

  • Entre novembro e março, Vega está no céu diurno ou nasce muito tarde; ela reaparece de madrugada a partir de abril.
  • No Sul do Brasil, a baixa altura amplifica a poluição luminosa das cidades e a turbulência, prejudicando a visão da cor branca da estrela.
  • A Nebulosa do Anel, principal alvo da região, exige céu escuro e um telescópio de pelo menos 100 mm para ser vista com conforto.

Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.

Curiosidades

Vega foi a primeira estrela além do Sol a ser fotografada: na noite de 16 para 17 de julho de 1850, William Bond e o fotógrafo John Adams Whipple registraram sua imagem em um daguerreótipo, no Observatório de Harvard, com exposição de 90 segundos.

Por muito tempo Vega definiu a magnitude zero. Hoje a escala é calibrada por outros métodos, e as medidas modernas dão a Vega magnitude 0,03, mas a estrela continua sendo usada como padrão de cor e de fluxo em muitos sistemas fotométricos.

A precessão, o lento bamboleio do eixo da Terra, muda qual estrela fica perto do polo norte celeste. Vega já foi a estrela polar do norte num passado distante e voltará a ocupar essa posição, com a vantagem de ser muito mais brilhante que a atual Polaris.

O SIMBAD classifica Vega como variável do tipo Delta Scuti, uma classe de estrelas que pulsa com pequenas variações de brilho, imperceptíveis a olho nu.

Termos de apoio

Magnitude aparente

Escala de brilho dos astros em que números menores indicam objetos mais brilhantes. Vega serviu historicamente como o zero da escala; hoje sua magnitude medida é 0,03. Saiba mais →

Disco de detritos

Anel de poeira e fragmentos ao redor de uma estrela, produzido por colisões entre asteroides e cometas. É detectado principalmente no infravermelho, porque a poeira aquecida pela estrela brilha nesse comprimento de onda. Saiba mais →

Unidade astronômica

Distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de quilômetros. O disco de Vega chega a mais de 815 unidades astronômicas, muito além da distância de Plutão ao Sol. Saiba mais →

Precessão

Movimento lento do eixo de rotação da Terra, que descreve um círculo completo em cerca de 26 mil anos. Por causa dele, o polo celeste muda de posição entre as estrelas, e a estrela polar não é sempre a mesma. Saiba mais →

Fontes consultadas

  1. SIMBAD Astronomical Database (CDS) — Vega (alf Lyr) — designações, tipo espectral, magnitude, paralaxe, tipo de variável e coordenadas
  2. Monnier, J. D. et al. (2012). Resolving Vega and the inclination controversy with CHARA/MIRC. The Astrophysical Journal Letters, 761, L3 — massa, idade e orientação quase polar
  3. Peterson, D. M. et al. (2006). Vega is a rapidly rotating star. Nature, 440, 896 — rotação a 93% da velocidade de ruptura
  4. NASA Science — Tiny Particles, So Far Away (PIA07218, Spitzer) — imagem e dimensões do disco de poeira; crédito da imagem
  5. Astronomy Magazine — July 16, 1850: Bond and Whipple photograph Vega — primeira fotografia de uma estrela (fonte secundária)

Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.

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