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Sirius

A estrela mais brilhante do céu noturno

Outros nomes e designações: Sírio, Alfa Canis Majoris, α CMa, HD 48915, HIP 32349, Estrela do Cão

Melhor época no Brasil: Novembro a abril, no início da noite; passa perto do zênite no Centro-Oeste

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Estrela muito brilhante com picos de difração em cruz e um pequeno ponto de luz à esquerda e abaixo, Sirius B.
Sirius A ofusca a imagem do Telescópio Espacial Hubble; a pequena anã branca Sirius B aparece como um ponto no canto inferior esquerdo. Crédito: NASA, ESA, H. Bond (STScI) e M. Barstow (University of Leicester) (CC BY 4.0 (ESA/Hubble)). Fonte: esahubble.org/images/heic0516a.

Visão geral

Sirius é a estrela que mais brilha no céu noturno, de qualquer ponto da Terra. Só o Sol, a Lua e alguns planetas a superam. Para quem começa a observar o céu, ela é a referência mais confiável das noites de verão no Brasil: um ponto branco-azulado, intenso e cintilante, que aparece a leste logo após o anoitecer em dezembro e domina o alto do céu em fevereiro.

O brilho de Sirius não vem de uma luminosidade extraordinária. Ela é apenas cerca de 25 vezes mais luminosa que o Sol, modesta perto de gigantes como Rigel ou Canopus. O que a torna tão vistosa é a proximidade: a 8,6 anos-luz, Sirius é uma das estrelas mais próximas do Sistema Solar e a mais próxima que pode ser vista a olho nu do Brasil sem ser o próprio sistema de Alfa Centauri.

Características

Sirius é, na verdade, um sistema duplo. A estrela que vemos, Sirius A, é uma estrela da sequência principal de tipo espectral A, com cerca de duas vezes a massa do Sol, 1,7 vez o seu raio e temperatura superficial próxima de 9.900 K. Essa temperatura explica a cor branca com toque azulado, bem diferente do amarelo do Sol.

Ao seu redor orbita Sirius B, uma anã branca: o núcleo remanescente de uma estrela que já foi mais massiva que Sirius A e que esgotou seu combustível há cerca de 120 milhões de anos. Sirius B concentra aproximadamente uma massa solar em um corpo do tamanho da Terra. Foi a primeira anã branca identificada, e sua existência foi deduzida pelo matemático Friedrich Bessel em 1844, a partir do movimento ondulado de Sirius A no céu, antes de ser vista pelo construtor de telescópios Alvan Graham Clark em 1862.

As duas estrelas completam uma órbita a cada 50,1 anos. A separação aparente varia entre cerca de 3 e 11 segundos de arco, o que torna Sirius B um alvo difícil mesmo em telescópios médios, por causa do ofuscamento da companheira dez mil vezes mais brilhante.

Onde fica no céu

Sirius marca o pescoço do Cão Maior, a constelação que acompanha Órion pelo céu. A forma mais fácil de localizá-la é seguir a linha das Três Marias (o Cinturão de Órion) para o lado oposto a Aldebaran, a estrela alaranjada do Touro. Prolongando essa linha por cerca de 20°, o equivalente a uma mão aberta com o braço esticado, você chega a Sirius.

Sirius também forma, com Betelgeuse (em Órion) e Procyon (no Cão Menor), o chamado Triângulo de Inverno do hemisfério norte, que para nós é um triângulo de verão. Com declinação de −16,7°, ela passa quase exatamente pelo zênite de cidades como Goiânia, Brasília e Cuiabá.

Como observar

Orientação geral, não previsão. As indicações de época e altura valem para o Brasil em geral e para o início da noite. Para a posição exata na sua cidade, data e horário, consulte um planisfério ou aplicativo de planetário, como explicamos em Como ler um mapa celeste.

Não existe estrela mais fácil de observar: Sirius é visível a olho nu até de centros urbanos muito iluminados. Perto do horizonte, a turbulência atmosférica a faz cintilar em várias cores, um efeito que já gerou relatos de "luzes estranhas" e que é apenas a refração da luz branca intensa.

Em binóculos, Sirius aparece como um ponto ofuscante, sem detalhe adicional. A companheira Sirius B exige telescópio de pelo menos 150 mm a 200 mm, céu muito estável e, de preferência, uma noite em que a separação esteja próxima do máximo. Mesmo assim, é um desafio para observadores experientes.

A partir do Brasil

Norte e Nordeste

No Norte e no Nordeste, Sirius cruza o céu bem alto, passando a cerca de 70° a 85° de altura. Em Belém ou Fortaleza ela fica um pouco ao sul do zênite; em Salvador, quase sobre a cabeça. A estação chuvosa de boa parte da região (dezembro a maio na Amazônia e no litoral nordestino) coincide com a melhor época da estrela, então vale aproveitar as noites limpas de novembro e dezembro, quando Sirius já está alta na madrugada.

Centro-Oeste e Sudeste

É a região em que Sirius passa mais perto do zênite. Em Brasília, Goiânia e Cuiabá ela cruza o meridiano quase exatamente sobre a cabeça; em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte fica a cerca de 80° de altura. A melhor janela é de janeiro a março por volta das 21h, embora o verão chuvoso exija paciência com a nebulosidade.

Sul

Do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, Sirius ainda chega a cerca de 75° de altura, muito confortável. Como o verão no Sul costuma ter mais noites limpas que no Centro-Oeste, a região tem condições excelentes para acompanhar a estrela de dezembro a abril. No outono ela se despede cedo pelo oeste.

Limitações e cuidados

  • Entre junho e julho Sirius está no céu diurno e não pode ser observada; ela reaparece no céu da madrugada a partir de agosto.
  • Luar e poluição luminosa não atrapalham Sirius em si, mas apagam as estrelas mais fracas do Cão Maior usadas para reconhecer a constelação.
  • A visão de Sirius B depende de abertura, qualidade óptica e estabilidade atmosférica; não é alvo para telescópios de entrada.

Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.

Curiosidades

No Egito antigo, Sirius era a estrela Sopdet (Sótis). Seu nascer helíaco, a primeira aparição no céu da manhã após semanas invisível, coincidia com a cheia anual do Nilo e marcava o início do ano no calendário egípcio.

A expressão "dias de cão", usada em várias línguas para os dias mais quentes do verão europeu, vem de Sirius: os antigos gregos e romanos acreditavam que o calor de julho e agosto era reforçado pela estrela do cão nascendo junto com o Sol.

Sirius está se aproximando do Sistema Solar e, por isso, vai continuar aumentando de brilho lentamente. Em cerca de 60 mil anos deve atingir a maior aproximação e brilhar um pouco mais do que hoje, antes de começar a se afastar.

O Telescópio Espacial Hubble registrou Sirius B como um pequeno ponto ao lado de Sirius A e usou a luz da anã branca para medir o desvio gravitacional para o vermelho, um efeito previsto pela relatividade geral.

Termos de apoio

Magnitude aparente

É a escala de brilho usada em astronomia. Quanto menor o número, mais brilhante é o astro; valores negativos indicam objetos muito brilhantes. Sirius, com −1,46, supera qualquer outra estrela noturna. Saiba mais →

Ano-luz

Distância que a luz percorre em um ano, cerca de 9,46 trilhões de quilômetros. A luz de Sirius que você vê hoje saiu da estrela há 8,6 anos. Saiba mais →

Anã branca

Resto compacto de uma estrela de massa parecida com a do Sol que esgotou seu combustível nuclear. Concentra a massa de uma estrela em um volume semelhante ao da Terra e esfria lentamente ao longo de bilhões de anos. Saiba mais →

Zênite

Ponto do céu diretamente acima da cabeça do observador. Um astro que passa pelo zênite é visto na posição mais alta possível, longe da turbulência e da poluição do horizonte. Saiba mais →

Fontes consultadas

  1. SIMBAD Astronomical Database (CDS) — Sirius — designações, tipo espectral, magnitude, paralaxe e coordenadas
  2. Bond, H. E. et al. (2017). The Sirius System and Its Astrophysical Puzzles: Hubble Space Telescope and Ground-based Astrometry. The Astrophysical Journal, 840, 70 — massas, raios, temperatura, órbita e idade do sistema
  3. ESA/Hubble — Sirius A and B: a double star system in the constellation Canis Major (heic0516a) — imagem do sistema e medida do desvio gravitacional para o vermelho em Sirius B
  4. NASA Science — Hubble Observes Sirius B — contexto histórico e observações do Hubble

Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.

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