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Cisne

A Cruz do Norte sobre a Via Láctea, vista de ponta-cabeça do Brasil

Outros nomes e designações: Cygnus, Cyg, O Cisne, Cruz do Norte

Melhor época no Brasil: Julho a outubro, no início da noite, baixa no horizonte norte

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Carta celeste da constelação Cygnus com estrelas, linhas de ligação e limites oficiais da IAU.
Carta oficial da constelação Cygnus (Cisne), com os limites definidos pela União Astronômica Internacional e as estrelas até a magnitude 6,5. Crédito: IAU e Sky & Telescope (Roger Sinnott e Rick Fienberg) (CC BY 3.0). Fonte: iauarchive.eso.org/public/themes/constellations.

Visão geral

O Cisne é uma das figuras mais reconhecíveis do céu do hemisfério norte: uma grande cruz de estrelas brilhantes deitada sobre a faixa luminosa da Via Láctea, com Deneb em uma ponta e Albireo na outra.

Para o observador brasileiro, o Cisne é uma constelação de fronteira. Ela se estende das declinações +28° a +61°, faixa tão ao norte que a figura aparece baixa, invertida em relação aos mapas tradicionais e parcialmente cortada pelo horizonte conforme se avança para o sul do país. Ainda assim, em agosto e setembro vale procurar a cruz e explorar com binóculos uma das regiões mais ricas da Via Láctea.

Características

Deneb (α Cyg), de magnitude 1,25, marca a cauda do cisne. É uma supergigante branca de tipo A2, uma das estrelas mais luminosas visíveis a olho nu. Sua paralaxe no SIMBAD, de 2,3 milissegundos de arco, aponta para cerca de 1.400 anos-luz, com incerteza grande; a literatura traz valores maiores. Em qualquer caso, para brilhar tanto de tão longe ela deve ser dezenas de milhares de vezes mais luminosa que o Sol.

Sadr (γ Cyg), de magnitude 2,23, fica no cruzamento da cruz, no peito do cisne, cercada por campos densos de estrelas e nebulosidade. É também uma supergigante, de tipo F8, a cerca de 1.800 anos-luz. Na outra extremidade do pescoço está Albireo (β Cyg), de magnitude 3,08, considerada por muitos a estrela dupla mais bonita do céu: um telescópio pequeno separa um componente dourado de outro azul, a cerca de 360 anos-luz.

Completam a cruz δ Cyg e Aljanah (ε Cyg), nas pontas das asas. Perto de Deneb está NGC 7000, a Nebulosa América do Norte, uma vasta nuvem de gás cujo contorno lembra o continente; em céu muito escuro ela aparece a olho nu como um clarão na Via Láctea, mas é difícil em telescópios por causa do baixo brilho superficial. Perto de ε Cyg fica a Nebulosa do Véu (NGC 6960 e vizinhas), resto de uma supernova espalhado por cerca de 3°.

Os aglomerados abertos M29, de magnitude 6,6 e cerca de 13 minutos de arco, perto de Sadr, e M39, um grupo grande e esparso perto da fronteira com o Lagarto, são bons alvos para binóculos. A estrela 61 Cygni, de magnitude 5,2, um par de anãs alaranjadas a apenas 11,4 anos-luz, foi a primeira estrela a ter a distância medida, em 1838.

O Cisne também guarda Cygnus X-1, uma fonte de raios X descoberta em 1964 e que, na década de 1970, se tornou o primeiro objeto identificado como buraco negro. Ele orbita uma supergigante azul de magnitude 8,9 a cerca de 6.000 anos-luz, segundo o observatório Chandra da NASA.

Onde fica no céu

No fim do inverno brasileiro, por volta das 21h, olhe para o norte. A estrela brilhante mais alta nessa direção é Altair, na Águia; à esquerda e um pouco abaixo dela está Vega, branca e intensa; e mais à direita, mais baixa ainda, está Deneb. Essas três formam o Triângulo de Verão do hemisfério norte; Deneb é o vértice mais fraco e mais baixo.

A partir de Deneb, procure a linha de estrelas que sobe em direção a Altair: Sadr no meio e Albireo na ponta. Vista do Brasil, essa linha é o eixo da cruz, com Deneb na base e Albireo no topo; a travessa, com δ Cyg e ε Cyg, cruza o eixo em Sadr.

As constelações vizinhas são Cefeu ao norte, Dragão a noroeste, Lira a oeste, Raposa (Vulpecula) ao sul, Pégaso a sudeste e Lagarto (Lacerta) a leste.

Como observar

Orientação geral, não previsão. As indicações de época e altura valem para o Brasil em geral e para o início da noite. Para a posição exata na sua cidade, data e horário, consulte um planisfério ou aplicativo de planetário, como explicamos em Como ler um mapa celeste.

Deneb, Sadr e Albireo são visíveis a olho nu de cidades, embora baixas. A riqueza do Cisne, porém, está na Via Láctea que o atravessa: em céu escuro, binóculos revelam nuvens de estrelas, faixas escuras de poeira e aglomerados a cada movimento, sobretudo em torno de Sadr.

Um telescópio pequeno separa Albireo em suas duas cores, mostra M29 e M39 e, com filtro e céu muito escuro, insinua a Nebulosa do Véu. A Nebulosa América do Norte é alvo para olho nu e binóculos, não para telescópios. Observe quando a constelação cruza o meridiano ao norte, no ponto mais alto.

A partir do Brasil

Norte e Nordeste

No Norte do Brasil o Cisne é uma constelação inteira: em Belém, Deneb culmina a cerca de 43° de altura, Albireo a cerca de 60°, e até a borda norte da constelação, perto de +61°, chega a uns 27°. Em Fortaleza os números são parecidos; em Salvador, Deneb fica a cerca de 32°. O inverno seco da região, de julho a setembro, oferece noites limpas no horário em que a constelação está mais alta, por volta das 21h.

Centro-Oeste e Sudeste

Em Brasília e Goiânia, Deneb não passa de cerca de 29° de altura e a borda norte da constelação fica a uns 13°. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, Deneb culmina a cerca de 21°, Albireo a cerca de 38°, e as regiões mais ao norte do Cisne mal despontam do horizonte. A cruz é visível, mas na faixa baixa e poluída do céu; procure horizonte norte escuro em agosto e setembro.

Sul

De Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, o Cisne é uma constelação cortada pelo horizonte. Deneb culmina a apenas cerca de 15° de altura, Sadr a cerca de 20°, e a parte da constelação com declinação acima de +60° simplesmente não nasce em Porto Alegre. Albireo, mais ao sul, ainda chega a uns 32°. Concentre-se em Albireo e na Via Láctea próxima a ele.

Limitações e cuidados

  • Entre janeiro e fevereiro a constelação fica no céu diurno; ela retorna de madrugada a partir de abril.
  • Por ser muito boreal, o Cisne sofre com a baixa altura: extinção atmosférica, turbulência e poluição luminosa do horizonte norte reduzem o que se vê, sobretudo no Sul.
  • As nebulosas do Cisne exigem céu escuro e sem Lua; de cidades, só as estrelas da cruz e Albireo são alvos realistas.

Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.

Curiosidades

Na mitologia grega, o cisne costuma ser Zeus disfarçado para se aproximar de Leda, rainha de Esparta; dessa união nasceram Helena e Pólux, um dos Gêmeos. Outras versões associam a figura a Orfeu, colocado no céu ao lado de sua lira (fonte: Wikipedia, verbete Cygnus).

O nome Deneb vem do árabe e significa "cauda", a mesma raiz de Denebola, no Leão.

Em 1838, Friedrich Bessel mediu a paralaxe de 61 Cygni, cerca de 0,31 segundo de arco, e obteve a primeira distância estelar confiável da história. O satélite Gaia, da ESA, mediu cerca de 0,286 segundo de arco para o mesmo par, e a estrela foi um dos últimos alvos simbólicos da missão antes do encerramento, em janeiro de 2025.

Termos de apoio

Constelação boreal

Constelação com declinações positivas, ao norte do equador celeste. Do Brasil ela aparece sempre no lado norte do céu e fica mais baixa quanto mais ao sul estiver o observador. Partes do Cisne acima de +60° não nascem em Porto Alegre. Saiba mais →

Paralaxe

Deslocamento aparente de uma estrela próxima contra o fundo distante conforme a Terra percorre sua órbita. Quanto maior a paralaxe, mais perto a estrela. Foi medida pela primeira vez em 61 Cygni, por Bessel, em 1838. Saiba mais →

Resto de supernova

Nuvem de gás em expansão deixada pela explosão de uma estrela massiva. A Nebulosa do Véu, no Cisne, é um dos mais extensos e fotogênicos, embora exija céu escuro e filtros para ser vista. Saiba mais →

Magnitude aparente

Escala de brilho em que números menores indicam astros mais brilhantes. Deneb tem 1,25; Albireo, 3,08; 61 Cygni, 5,2, no limite do olho nu em céu escuro. Saiba mais →

Fontes consultadas

  1. IAU — The Constellations (página oficial arquivada, com cartas Sky & Telescope e arquivos de fronteira) — abreviação, genitivo, fronteiras de Delporte (1930) e vértices em ascensão reta e declinação (arquivo cyg.txt)
  2. Wikipedia (en) — IAU designated constellations by solid angle (tabela baseada em Delporte, 1930) — área de 803,983 graus quadrados e 16ª posição; fonte secundária, usada para o valor da área
  3. SIMBAD (CDS) — Deneb, Sadr, Albireo, 61 Cyg A, HD 226868 (Cyg X-1) — magnitudes, tipos espectrais e paralaxes; distâncias calculadas a partir das paralaxes
  4. SIMBAD (CDS) — M 29, M 39, NGC 7000, NGC 6960 — magnitude 6,6 e diâmetro de 12,7′ de M29; coordenadas e classificação dos demais objetos
  5. NASA/Chandra X-ray Observatory — Cygnus X-1 (2009) — descoberta em 1964, identificação como buraco negro na década de 1970, companheira supergigante azul, massa de cerca de 10 sóis e distância de cerca de 6.000 anos-luz
  6. ESA Gaia — Image of the Week: 61 Cygni, Bessel e a primeira paralaxe (janeiro de 2025) — medida de Bessel em 1838 (0,314″), valores do Gaia (cerca de 286 mas) e últimas observações da missão
  7. Wikipedia (en) — Cygnus (constellation) — mitologia, Nebulosa do Véu (~3°), distância da Nebulosa América do Norte e constelações vizinhas; fonte secundária

Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.

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