Galáxia de Andrômeda (M31)
A grande galáxia vizinha, visível a olho nu em céu escuro
Outros nomes e designações: M31, Messier 31, NGC 224, UGC 454, Andromeda Galaxy, Grande Nebulosa de Andrômeda
Melhor época no Brasil: Setembro a janeiro, no início da noite, sempre baixa no norte; melhor do Norte e Nordeste do Brasil
Visão geral
A Galáxia de Andrômeda é a grande galáxia mais próxima da Via Láctea e o objeto mais distante que você consegue ver a olho nu. Em uma noite escura, ela aparece como uma mancha alongada e pálida na constelação de Andrômeda. A luz que chega aos seus olhos saiu de lá há cerca de 2,5 milhões de anos, quando os primeiros humanos ainda estavam surgindo na África.
Para quem observa do Brasil, Andrômeda tem um porém: ela é um objeto do céu boreal e, daqui, nunca sobe muito acima do horizonte norte. Mesmo assim, vale a pena procurá-la: é a chance de ver, sem instrumento nenhum, uma ilha de um trilhão de estrelas parecida com a nossa.
Características
Andrômeda é uma galáxia espiral, classificada no SIMBAD como SA(s)b, ou seja, sem barra central evidente e com braços moderadamente enrolados. Nós a vemos quase de lado, inclinada cerca de 77° em relação à linha de visada, segundo a NASA, por isso ela parece um fuso alongado e não um redemoinho. O disco mede cerca de 3,3° de comprimento no céu, seis vezes o diâmetro da Lua cheia, embora a olho nu só o núcleo brilhante seja visível.
Com base em medições do brilho infravermelho feitas pelo telescópio espacial Spitzer, a NASA estima que Andrômeda contenha cerca de um trilhão de estrelas, mais do que a Via Láctea. O Hubble, em um mosaico gigantesco com mais de 600 imagens e mais de dez anos de observação, conseguiu resolver individualmente cerca de 200 milhões delas, apenas as mais quentes e brilhantes que o Sol.
A galáxia tem uma história agitada. Estudos do Hubble indicam que ela passou por fusões com galáxias menores, e a pequena galáxia elíptica M32, que aparece grudada ao disco em fotos, pode ser o núcleo remanescente de uma galáxia que colidiu com ela.
Andrômeda e a Via Láctea se aproximam. Em 2012, a NASA anunciou, com base em medições do Hubble, que Andrômeda avança na nossa direção a cerca de 400 mil quilômetros por hora e que uma colisão frontal aconteceria em cerca de 4 bilhões de anos. Em 2025, uma nova análise com dados do Hubble e do Gaia reduziu essa certeza: considerando as incertezas e a influência da Grande Nuvem de Magalhães, a chance de uma fusão nos próximos 10 bilhões de anos ficou em torno de 50%.
Onde fica no céu
Andrômeda fica na constelação de mesmo nome, que do Brasil aparece baixa no norte nas noites de primavera e início de verão. O ponto de partida é o Grande Quadrado de Pégaso, quatro estrelas de brilho médio que formam um quadrado largo. A partir do canto nordeste do quadrado, a estrela Alpheratz, siga a fileira de estrelas de Andrômeda até a segunda delas, Mirach. Dali, suba cerca de 7° (quatro dedos com o braço esticado) passando por uma estrela mais fraca, e a galáxia aparece como uma mancha difusa.
Com declinação de +41°, Andrômeda cruza o meridiano no norte, na altura de 90° menos a diferença entre a latitude do observador e +41°. Isso significa que, quanto mais ao sul você estiver no Brasil, mais baixa ela fica. No extremo Norte do país ela passa quase à metade do caminho até o zênite; no Rio Grande do Sul, mal chega a 20° de altura.
Como observar
Em céu escuro, longe das cidades, Andrômeda é visível a olho nu como uma mancha oval de luz suave. A NASA observa que ela pode ser vista sem instrumento até com poluição luminosa moderada, mas no Brasil a altura reduzida torna isso mais difícil, porque a luz atravessa uma camada mais espessa de atmosfera.
Binóculos são o instrumento ideal: mostram o núcleo brilhante e um halo alongado que se estende por vários diâmetros lunares. Um telescópio pequeno, com baixo aumento, revela o núcleo condensado, a elipse do disco e as duas companheiras, M32 e M110. Em telescópios médios, sob céu muito escuro, é possível notar uma faixa de poeira escura cortando o disco.
A partir do Brasil
Norte e Nordeste
É a melhor região do Brasil para Andrômeda. Em Belém (latitude −1,5°) ela culmina a cerca de 47° de altura, e em Fortaleza a cerca de 45°, confortavelmente acima da bruma do horizonte. Em Salvador chega a cerca de 36°. As noites de outubro a dezembro, por volta das 21h, são as melhores; no litoral nordestino, a estação seca do segundo semestre costuma oferecer céu limpo, mas é preciso fugir da iluminação das capitais.
Centro-Oeste e Sudeste
Em Brasília a galáxia atinge cerca de 33° de altura, e em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, de 25° a 30°. É altura suficiente para binóculos e telescópios, mas a observação a olho nu exige céu rural e horizonte norte livre de cidades, que costumam ficar justamente nessa direção. Prefira novembro e dezembro, quando ela está mais alta no início da noite.
Sul
No Sul, Andrômeda é um alvo baixo. Em Porto Alegre (latitude −30°) ela culmina a apenas cerca de 19° de altura, e em cidades mais ao sul, como Pelotas ou o Chuí, por volta de 15°. Nessa altura, a extinção atmosférica rouba boa parte do brilho e a visão a olho nu se torna rara. Com binóculos ela ainda aparece, de preferência em noites de ar muito seco e límpido, depois de frentes frias, entre outubro e dezembro.
Limitações e cuidados
- A Lua é a maior inimiga: perto da cheia, Andrômeda some mesmo em céu rural. Observe na semana da Lua nova.
- Poluição luminosa apaga galáxias muito antes de apagar estrelas; como Andrômeda fica baixa no norte, qualquer cidade nessa direção cria um clarão exatamente onde ela está.
- Entre março e julho ela está no céu diurno ou muito baixa de madrugada; o período útil vai de agosto a fevereiro.
Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.
Curiosidades
O registro escrito mais antigo que se conhece de Andrômeda está no Livro das Estrelas Fixas do astrônomo persa Abd al-Rahman al-Sufi, de 964, que a descreveu como uma pequena nuvem. Por isso a NASA diz que é impossível apontar um descobridor: ela sempre esteve visível a quem tivesse céu escuro.
Até a década de 1920, Andrômeda era chamada de Grande Nebulosa de Andrômeda, e muitos astrônomos acreditavam que ela era uma nuvem de gás dentro da Via Láctea. Foi a identificação de estrelas variáveis cefeidas nela, por Edwin Hubble, que mostrou sua distância enorme e, com isso, a existência de outras galáxias.
A colisão com a Via Láctea, se acontecer, não vai destruir o Sistema Solar. Segundo a NASA, as estrelas estão tão espaçadas que praticamente não se chocam; o mais provável é que o Sol seja empurrado para uma região diferente da galáxia resultante.
Termos de apoio
Ano-luz
Distância que a luz percorre em um ano, cerca de 9,46 trilhões de quilômetros. A luz de Andrômeda leva cerca de 2,5 milhões de anos para chegar até nós. Saiba mais →
Declinação
Coordenada celeste equivalente à latitude na Terra. Um objeto de declinação +41°, como Andrômeda, passa pelo zênite de quem está a 41° de latitude norte e fica cada vez mais baixo no norte à medida que o observador se desloca para o sul. Saiba mais →
Visão lateral
Técnica de olhar um pouco ao lado de um objeto fraco em vez de fixá-lo. A periferia da retina é mais sensível à luz fraca, por isso manchas difusas como galáxias aparecem melhor assim. Saiba mais →
Poluição luminosa
Clarão artificial do céu causado pela iluminação urbana. Ele reduz o contraste de objetos difusos, como galáxias, muito antes de apagar estrelas brilhantes. Saiba mais →
Fontes consultadas
- SIMBAD Astronomical Database (CDS) — M 31 — coordenadas, tipo morfológico, magnitude V, tamanho aparente e designações
- NASA Science — Messier 31 (The Andromeda Galaxy) — distância, magnitude, inclinação, Al-Sufi, mosaico do Hubble de 2025 e visibilidade a olho nu
- NASA Science — NASA's Hubble Shows Milky Way is Destined for Head-On Collision with Andromeda Galaxy (2012) — velocidade de aproximação, previsão de colisão em 4 bilhões de anos e destino do Sistema Solar
- NASA Science — Apocalypse When? Hubble Casts Doubt on Certainty of Galactic Collision (2025) — probabilidade de cerca de 50% de fusão em 10 bilhões de anos e papel da Grande Nuvem de Magalhães
- NASA/JPL — Andromeda Adrift in Sea of Dust in New NASA Image (Spitzer) — estimativa de cerca de 1 trilhão de estrelas a partir do brilho infravermelho
- ESA/Hubble — Sharpest ever view of the Andromeda Galaxy (heic1502a) — imagem em mosaico do disco de Andrômeda e crédito
Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.
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