Rigel
A supergigante azul que marca o pé de Órion
Outros nomes e designações: Beta Orionis, β Ori, HD 34085, HIP 24436
Melhor época no Brasil: Novembro a março, no início da noite; culmina no fim de dezembro, quase no zênite para o Nordeste
Visão geral
Rigel é a estrela mais brilhante de Órion e a sétima mais brilhante do céu noturno. Ela marca o pé esquerdo do caçador, do lado oposto a Betelgeuse, e as duas formam o contraste de cores mais famoso do céu: Rigel branco-azulada, Betelgeuse alaranjada. Para quem observa do Brasil, Órion é a constelação do verão, e Rigel é a sua joia mais luminosa.
A luz que chega de Rigel partiu da estrela há cerca de 860 anos. Para brilhar tanto a essa distância, ela precisa ser extraordinariamente luminosa: emite mais de cem mil vezes a energia do Sol. É uma supergigante azul, uma das estrelas intrinsecamente mais brilhantes que podemos ver a olho nu, e uma candidata a terminar a vida como supernova.
Características
Rigel é uma supergigante de tipo espectral B8 Ia. Sua temperatura superficial, de cerca de 12.100 K, é mais que o dobro da do Sol, e é ela que dá à estrela a cor branco-azulada. Interferometria no infravermelho mediu o diâmetro angular de Rigel e, combinado com a distância do Hipparcos, resultou em um raio de cerca de 79 raios solares. Se Rigel ocupasse o lugar do Sol, sua superfície se estenderia até perto da órbita de Mercúrio.
A massa de Rigel é estimada por comparação com modelos de evolução estelar: ela teria nascido com cerca de 23 massas solares. Estrelas assim consomem o combustível em poucos milhões de anos. Rigel já saiu da sequência principal e hoje queima hélio no núcleo, numa fase em que a estrela pulsa de maneira complexa: um estudo com o satélite canadense MOST e anos de espectroscopia identificou dezenas de modos de oscilação com períodos entre cerca de 1 e 75 dias, que fazem seu brilho e sua velocidade de superfície variarem ligeiramente.
Rigel tem uma companheira, Rigel B, a cerca de 9,5 segundos de arco de distância. Ela é muito mais fraca que a principal e é, por sua vez, uma binária espectroscópica formada por duas estrelas de tipo B9. O par principal, portanto, é na verdade um sistema de pelo menos três estrelas, todas ofuscadas pela supergigante.
Onde fica no céu
Rigel fica no canto sudoeste do grande retângulo de Órion, do lado oposto a Betelgeuse em relação às Três Marias. Nas noites de dezembro e janeiro, localize as Três Marias no alto do céu; a estrela brilhante e branca abaixo e à direita delas, para quem olha para o norte, é Rigel. Para quem olha para o sul, a orientação se inverte: Rigel fica acima e à esquerda do cinturão.
Com declinação de −8°, Rigel passa pelo zênite de uma faixa que inclui Recife, Maceió e o interior do Nordeste. Em todo o Brasil ela sobe muito alto, o que a torna uma das estrelas brilhantes mais bem colocadas para observação no país.
Como observar
A olho nu, o interesse está na cor: compare Rigel com Betelgeuse na mesma noite e a diferença entre azul-branco e laranja salta aos olhos, mesmo de uma cidade iluminada. Em binóculos a cor fica ainda mais nítida.
Com um telescópio pequeno, de 80 mm a 100 mm, e aumento de 100 vezes ou mais, é possível ver Rigel B como um ponto fraco ao lado da estrela principal. A dificuldade não está na separação, que é generosa, mas no contraste: Rigel A é centenas de vezes mais brilhante que a companheira. Noites de atmosfera estável ajudam muito, e vale observar quando Rigel está alta no céu.
A partir do Brasil
Norte e Nordeste
Em Belém e Fortaleza, Rigel chega a cerca de 83° a 86° de altura, praticamente sobre a cabeça; em Recife e Maceió ela passa pelo zênite, e em Salvador fica a cerca de 85°. É a situação ideal para separar Rigel B ao telescópio. A estação chuvosa de boa parte da região coincide com a melhor época (dezembro a março); aproveite as noites claras de novembro e dezembro.
Centro-Oeste e Sudeste
Em Brasília e Goiânia, Rigel sobe a cerca de 82° de altura; em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a cerca de 75°. Ela culmina por volta das 21h no fim de dezembro e fica bem posicionada no início da noite até março. O verão chuvoso exige escolher as noites limpas após frentes frias, mas a altura da estrela compensa qualquer esforço.
Sul
No Sul, Rigel alcança cerca de 68° de altura em Porto Alegre e um pouco mais em Florianópolis e Curitiba, ainda muito confortável. As noites de verão na região costumam ser mais estáveis que no Centro-Oeste, e dezembro a março são meses excelentes para observar a companheira ao telescópio.
Limitações e cuidados
- Entre o fim de maio e julho, Rigel está no céu diurno e não pode ser vista; ela reaparece de madrugada em agosto.
- Rigel B exige telescópio com óptica bem alinhada e noite de boa estabilidade; binóculos não a mostram.
- A distância de Rigel tem incerteza considerável, pois a paralaxe é pequena; valores entre cerca de 790 e 950 anos-luz são compatíveis com as medidas.
Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.
Curiosidades
Embora seja a estrela mais brilhante de Órion, Rigel recebeu a letra beta na nomenclatura de Bayer, enquanto Betelgeuse ficou com alfa. Como Betelgeuse é variável e às vezes se aproxima de Rigel em brilho, a escolha do século XVII não foi necessariamente um erro.
Rigel ilumina a Nebulosa Cabeça de Bruxa (IC 2118), uma nuvem de poeira a oeste da estrela que reflete sua luz azul. A nebulosa é tênue, difícil para instrumentos amadores, mas foi registrada no infravermelho pelo satélite WISE, da NASA, que mostrou nela estrelas em formação.
A luminosidade de Rigel é tão grande que, se ela estivesse à distância de Sirius, teria magnitude próxima de −10 (calculada a partir dos dados do SIMBAD): mais de cem vezes o brilho de Vênus, o suficiente para projetar sombras.
O nome Rigel vem do árabe e significa "pé", referindo-se à posição da estrela no pé do gigante Órion.
Termos de apoio
Supergigante
Classe de luminosidade das estrelas mais luminosas, indicada pelo algarismo romano I no tipo espectral. São estrelas de grande massa que já saíram da sequência principal e incharam enormemente. Rigel é uma supergigante azul, de tipo B8 Ia. Saiba mais →
Paralaxe
Deslocamento aparente de uma estrela no céu ao longo do ano, causado pelo movimento da Terra em torno do Sol. Quanto menor a paralaxe, maior a distância; para Rigel ela é tão pequena que a distância tem incerteza de cerca de 10%. Saiba mais →
Zênite
Ponto do céu exatamente acima da cabeça do observador. Uma estrela passa pelo zênite quando sua declinação é igual à latitude do lugar; Rigel, com −8°, passa pelo zênite de Recife. Saiba mais →
Nebulosa de reflexão
Nuvem de poeira que não brilha por conta própria, mas reflete a luz de uma estrela próxima. Como a poeira espalha mais a luz azul, essas nebulosas costumam ter tom azulado, como a Cabeça de Bruxa iluminada por Rigel. Saiba mais →
Fontes consultadas
- SIMBAD Astronomical Database (CDS) — Rigel (bet Ori) e bet Ori B — designações, tipo espectral, magnitude, paralaxe e coordenadas; tipo espectral da companheira
- Przybilla, N. et al. (2010). Mixing of CNO-cycled matter in massive stars. Astronomy & Astrophysics, 517, A38 — temperatura efetiva, gravidade superficial e massa evolutiva de HD 34085 (Rigel)
- Moravveji, E. et al. (2012). The Blue Supergiant Rigel Observed with MOST. I. Spectroscopic and Photometric Variability. The Astrophysical Journal, 747, 108 — raio, luminosidade, distância adotada, companheira Rigel B e modos de pulsação
- NASA — Witch Nebula Casts Starry Spell (WISE) — imagem infravermelha da Nebulosa Cabeça de Bruxa, iluminada por Rigel
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Betelgeuse
Supergigante vermelha de Órion, centenas de vezes maior que o Sol e candidata a supernova. Em 2019–2020 escureceu de forma dramática. Fácil de ver a olho nu no verão brasileiro.

Nebulosa de Órion (M42)
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