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Órion (Orion)

O caçador do céu de verão, com as Três Marias e a Nebulosa de Órion

Outros nomes e designações: Orion, O Caçador, Três Marias (o Cinturão)

Melhor época no Brasil: Novembro a março, no início da noite; mais alto em janeiro, quando cruza o meridiano por volta das 21h

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Carta celeste da constelação Orion com estrelas, linhas de ligação e limites oficiais da IAU.
Carta oficial da constelação Orion (Órion (Orion)), com os limites definidos pela União Astronômica Internacional e as estrelas até a magnitude 6,5. Crédito: IAU e Sky & Telescope (Roger Sinnott e Rick Fienberg) (CC BY 3.0). Fonte: iauarchive.eso.org/public/themes/constellations.

Visão geral

Órion é a constelação que quase todo brasileiro conhece sem saber o nome. As três estrelas alinhadas que chamamos de Três Marias são o cinturão do caçador da mitologia grega, e em torno delas se arma um retângulo de estrelas brilhantes que domina as noites de verão. Por estar sobre o equador celeste, Órion é visível de qualquer ponto do planeta, e do Brasil passa quase a pino.

Vale conhecê-la porque ela reúne, em um só campo de visão, duas das estrelas mais luminosas da Via Láctea, Rigel e Betelgeuse, em cores opostas, e o berçário estelar mais próximo da Terra, a Nebulosa de Órion. É também o melhor ponto de partida para encontrar Sirius, Aldebaran e as Plêiades.

Características

Os ombros e os pés do caçador formam o retângulo. No canto nordeste está Betelgeuse (α Orionis), supergigante vermelha de tipo espectral M1 a M2, cuja magnitude varia em torno de 0,4; no canto oposto está Rigel (β Orionis), supergigante azul de tipo B8 e magnitude 0,13, a mais brilhante da constelação apesar da letra beta. Bellatrix (γ, magnitude 1,64) é o outro ombro e Saiph (κ, magnitude 2,06) o outro pé. A distância de Betelgeuse é difícil de medir: a paralaxe do SIMBAD indica cerca de 500 anos-luz, enquanto a NASA adota cerca de 725; Rigel está a aproximadamente 860 anos-luz.

No meio do retângulo fica o cinturão: Mintaka (δ, magnitude 2,41), Alnilam (ε, magnitude 1,69) e Alnitak (ζ, magnitude 1,77), de oeste para leste. As três parecem iguais, mas Alnilam é uma supergigante B0 a cerca de 2.000 anos-luz, muito mais longe que as outras duas, a cerca de 700 anos-luz. Mintaka fica praticamente sobre o equador celeste.

Pendendo do cinturão está a espada, uma fileira curta de estrelas fracas. No meio dela se vê a Nebulosa de Órion (M42), de magnitude 4,0, a cerca de 1.500 anos-luz: uma nuvem de gás iluminada pelo Trapézio, um grupo compacto de estrelas jovens e quentes em seu centro. Ao lado ficam M43, separada por uma faixa de poeira, e o aglomerado NGC 1981, de magnitude 4,2. Perto de Alnitak estão a Nebulosa da Chama e a Cabeça de Cavalo, alvos de fotografia, e ao norte do cinturão a nebulosa de reflexão M78. A cabeça do caçador é marcada por Meissa (λ Orionis, magnitude 3,66).

Onde fica no céu

Procure as Três Marias: três estrelas de brilho parecido, em linha reta, separadas por cerca de 1,5° cada, nascendo a leste logo após o anoitecer em dezembro. Do Brasil o cinturão nasce quase na vertical e, ao passar pelo meridiano, fica deitado, bem alto, com Betelgeuse para o norte e Rigel para o sul. Confirme pelas cores: Betelgeuse é avermelhada e Rigel, branco-azulada.

O cinturão é a régua do céu de verão. Prolongando a linha das Três Marias para o sudeste você chega a Sirius, no Cão Maior; para o noroeste, a Aldebaran, no Touro, e às Plêiades. As vizinhas de Órion são o Touro, Gêmeos, Unicórnio, Lebre e Erídano.

Como observar

Orientação geral, não previsão. As indicações de época e altura valem para o Brasil em geral e para o início da noite. Para a posição exata na sua cidade, data e horário, consulte um planisfério ou aplicativo de planetário, como explicamos em Como ler um mapa celeste.

Órion é uma constelação de cidade: as sete estrelas principais resistem à poluição luminosa. Em céu escuro, a Nebulosa de Órion aparece a olho nu como a estrela do meio da espada, visivelmente borrada. Binóculos a revelam como uma mancha esverdeada em forma de leque, com o Trapézio no centro, e mostram o aglomerado NGC 1981 logo acima.

Em telescópio pequeno, M42 é um dos objetos mais ricos do céu: as quatro estrelas do Trapézio, a divisão escura entre M42 e M43 e as asas da nebulosa. A Cabeça de Cavalo e a Chama exigem céu excelente, abertura maior ou fotografia de longa exposição. Compare também o brilho de Betelgeuse com o de Rigel de uma noite para outra: a supergigante é variável e sua luz muda de modo perceptível ao longo de meses.

A partir do Brasil

Norte e Nordeste

No Norte e no Nordeste, Órion passa praticamente pelo zênite: em Belém e Fortaleza, o cinturão culmina a mais de 85° de altura, com Betelgeuse e Rigel de um lado e de outro do ponto mais alto do céu. A melhor época, de dezembro a fevereiro, coincide com o início da estação chuvosa na Amazônia e no litoral norte do Nordeste; aproveite as noites limpas de novembro e as aberturas entre as chuvas.

Centro-Oeste e Sudeste

Em Brasília, Goiânia e Cuiabá o cinturão culmina a cerca de 74° de altura e Rigel a cerca de 82°. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, as Três Marias chegam a cerca de 66° e Betelgeuse a cerca de 59°. Janeiro e fevereiro, por volta das 21h, são o auge, apesar do verão chuvoso.

Sul

Do Sul, Órion continua alto, com o cinturão a cerca de 60° em Porto Alegre e Betelgeuse a cerca de 53°. A vantagem da região é o verão com mais noites limpas que no Centro-Oeste. A constelação é bem observada de novembro a março.

Limitações e cuidados

  • Entre maio e julho Órion está no céu diurno, próxima do Sol, e não pode ser observada; reaparece de madrugada em agosto.
  • A Lua cheia e a iluminação urbana apagam a nebulosidade de M42 a olho nu, embora o núcleo continue visível em binóculos.
  • Os meses de melhor posição coincidem com a estação chuvosa de boa parte do país; planeje pela previsão do tempo.

Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.

Curiosidades

Para os gregos, Órion era um caçador gigante, filho de Poseidon. Em uma das versões do mito ele se vangloriou de poder matar todos os animais da Terra, e um escorpião enviado pelos deuses o matou; os dois foram colocados em lados opostos do céu, e por isso Órion se põe quando o Escorpião nasce. Na Mesopotâmia a figura era o Pastor Celeste, e no Egito o deus Sah, associado a Osíris.

Na astronomia tupi-guarani estudada pelo professor Germano Afonso, o cinturão de Órion é uma das pernas do Homem Velho, figura que também usa as Híades como cabeça e as Plêiades como cocar. Betelgeuse marca a perna amputada do personagem, cuja aparição no começo da noite, na segunda metade de dezembro, anunciava o verão no Sul e a estação das chuvas no Norte.

Entre outubro de 2019 e fevereiro de 2020, Betelgeuse perdeu mais de dois terços do brilho habitual. Observações do Telescópio Espacial Hubble indicaram que a estrela ejetou uma bolha de material quente que esfriou e formou poeira, bloqueando a luz de cerca de um quarto de sua superfície. Em abril de 2020 ela já havia voltado ao normal.

A abreviação Ori foi fixada pela IAU em 1922; as fronteiras atuais, traçadas por Eugène Delporte, foram aprovadas em 1928 e publicadas em 1930. Os nomes Rigel, Betelgeuse e Bellatrix foram oficializados em junho de 2016, e Alnilam, Alnitak, Mintaka e Saiph em julho do mesmo ano.

Por volta de 21 e 22 de outubro, a chuva de meteoros Oriônidas, formada por fragmentos do cometa Halley, irradia de um ponto ao norte de Betelgeuse.

Termos de apoio

Asterismo

Grupo de estrelas que forma um desenho reconhecível sem ser uma constelação oficial. As Três Marias são um asterismo dentro de Órion; o Triângulo de Verão formado por Betelgeuse, Sirius e Procyon usa estrelas de três constelações. Saiba mais →

Magnitude aparente

Escala de brilho em que números menores indicam astros mais brilhantes. Rigel, com 0,13, é cerca de seis vezes mais brilhante que Mintaka, com 2,41. Cada unidade corresponde a um fator de aproximadamente 2,5 em brilho. Saiba mais →

Equador celeste

Projeção do equador da Terra sobre o céu, a linha de declinação 0°. Astros sobre ele, como Mintaka, nascem exatamente a leste e se põem exatamente a oeste em qualquer lugar do mundo. Saiba mais →

Supergigante

Estrela de grande massa na fase final da vida, inchada a centenas de vezes o raio do Sol. Betelgeuse é uma supergigante vermelha, fria e enorme; Rigel é uma supergigante azul, muito quente. Ambas devem terminar como supernovas. Saiba mais →

Fontes consultadas

  1. IAU — The Constellations (FAQ): história de 1922, 1925, 1928 e 1930, lista de abreviações — abreviação Ori e histórico das fronteiras de Delporte
  2. IAU — Arquivo de fronteiras oficiais da constelação Orion — vértices da fronteira; faixa de ascensão reta e declinação
  3. Wikipedia (em inglês) — IAU designated constellations by solid angle, com base em Delporte (1930) — área de 594,120 graus quadrados e posição 26ª; citada como Wikipedia
  4. SIMBAD Astronomical Database (CDS) — bet Ori, alf Ori, gam Ori, eps Ori, zet Ori, del Ori, kap Ori, lam Ori, NGC 1981 — magnitudes V, tipos espectrais, coordenadas e paralaxes; distâncias calculadas a partir da paralaxe
  5. IAU Working Group on Star Names — Catalog of Star Names (IAU-CSN) — nomes oficiais e datas de aprovação de Rigel, Betelgeuse, Bellatrix, Alnilam, Alnitak, Mintaka e Saiph
  6. NASA — Hubble's Messier Catalog: Messier 42 — magnitude 4,0, distância de 1.500 anos-luz e caráter de região de formação estelar mais próxima
  7. NASA — Hubble Finds That Betelgeuse's Mysterious Dimming Is Due to a Traumatic Outburst (13/08/2020) — cronologia e explicação do Grande Escurecimento; distância de cerca de 725 anos-luz
  8. NASA — Orionids meteor shower — pico em 21–22 de outubro, cometa Halley, 10 a 20 meteoros por hora, radiante ao norte de Betelgeuse
  9. Canaltech — Como os povos indígenas se guiam pela astronomia (02/12/2024), com base nos trabalhos de Germano Afonso — constelação tupi-guarani do Homem Velho: cinturão de Órion, Betelgeuse, Híades e Plêiades; época de aparição
  10. Wikipedia (em inglês) — Orion (constellation), com referências a Staal (1988), Rogers (1998) e Wilkinson (2003) — mitologia grega, mesopotâmica e egípcia; citada como Wikipedia

Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.

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