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Híades (Melotte 25)

O aglomerado aberto mais próximo do Sol, no rosto do Touro

Outros nomes e designações: Melotte 25, Collinder 50, Aglomerado das Híades, Hyades, Tapi'i rainhykã (guarani)

Melhor época no Brasil: Novembro a fevereiro, no início da noite; nasce a leste em outubro e se despede a oeste em março

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Campo estelar amplo com um grupo de estrelas em forma de V e uma estrela alaranjada brilhante em uma das pontas.
Campo amplo das Híades, com o V do Touro e a estrela alaranjada Aldebaran, em imagem de solo divulgada pelo ESA/Hubble. Crédito: NASA, ESA, and STScI (CC BY 4.0 (ESA/Hubble)). Fonte: esahubble.org/images/heic1309c.

Visão geral

As Híades formam o rosto do Touro: um V aberto de estrelas de brilho médio que parece apontar para Aldebaran, a estrela alaranjada mais brilhante da constelação. Esse V é tão fácil de reconhecer que serve de referência para quem está aprendendo a ler o céu de verão, e tem a vantagem de ser visível mesmo com alguma poluição luminosa.

O que muita gente não sabe é que esse desenho é um aglomerado de verdade, e o mais próximo de todos. A cerca de 150 anos-luz, as Híades estão três vezes mais perto que as Plêiades, suas vizinhas de constelação. Por isso o grupo aparece tão espalhado no céu: suas estrelas ocupam vários graus, e só a olho nu ou em binóculo é possível enxergar o conjunto inteiro.

Características

As Híades são um aglomerado aberto de idade intermediária. A missão Hipparcos, da ESA, mediu a paralaxe de dezenas de membros individualmente e chegou a uma distância de 46,34 parsecs até o centro de massa, com incerteza menor que um ano-luz. O mesmo estudo, liderado por Michael Perryman em 1998, estimou a idade em 625 milhões de anos, muito mais do que os 100 milhões das Plêiades. Nesse tempo as estrelas mais massivas já morreram, e o grupo é dominado por estrelas brancas e amarelas, com algumas gigantes alaranjadas.

A estrela que parece ser a rainha do aglomerado, Aldebaran, não pertence a ele. Ela está a cerca de 65 anos-luz, menos da metade da distância das Híades, e apenas cruza a mesma linha de visão. O brilho e a cor de Aldebaran ajudam a localizar o grupo, mas as verdadeiras Híades são as estrelas mais fracas do V, como Theta, Gamma, Delta e Epsilon Tauri.

Os membros do aglomerado se movem juntos pelo espaço, em trajetórias quase paralelas, com dispersão interna de velocidades de apenas 0,3 km/s. Esse movimento comum foi o critério usado para separar membros de intrusos: o Hipparcos combinou paralaxes, movimentos próprios e velocidades radiais e identificou membros até 20 parsecs do centro, com raio de maré de cerca de 10 parsecs.

As Híades também abrigam anãs brancas, os restos compactos de estrelas que esgotaram seu combustível. Em 2013, uma equipe liderada por Jay Farihi usou o Telescópio Espacial Hubble para detectar silício na atmosfera de duas dessas anãs brancas, indício de que elas engoliram fragmentos de asteroides rochosos. Foi uma das primeiras pistas de que sistemas planetários se formam normalmente em aglomerados estelares.

Onde fica no céu

Encontre Aldebaran, a estrela alaranjada de primeira magnitude a meio caminho entre as Três Marias e as Plêiades. A partir dela, o V das Híades se abre para o lado oposto a Órion, com Aldebaran em uma das pontas. Em céu urbano você verá o V com quatro ou cinco estrelas; em céu escuro, uma dúzia de pontos preenche o espaço entre os braços.

Com declinação de cerca de +17°, as Híades passam a norte do zênite em todo o Brasil, mas ficam bem altas no verão, culminando por volta das 21h em dezembro. O V está sempre apontado para o horizonte quando o Touro nasce a leste e deitado quando ele se põe a oeste.

Como observar

Orientação geral, não previsão. As indicações de época e altura valem para o Brasil em geral e para o início da noite. Para a posição exata na sua cidade, data e horário, consulte um planisfério ou aplicativo de planetário, como explicamos em Como ler um mapa celeste.

A olho nu, as Híades são um dos poucos aglomerados em que o observador percebe a forma de grupo sem instrumento. O V se abre por vários graus, mais ou menos três dedos com o braço esticado, e a diferença de cor entre Aldebaran e as estrelas brancas do aglomerado é visível para olhos atentos.

O binóculo é o melhor instrumento para elas. Em um 7×50 o V inteiro cabe no campo, e dezenas de estrelas mais fracas aparecem, incluindo vários pares largos de estrelas que, a olho nu, pareciam um único ponto.

Telescópios são pouco úteis para as Híades como conjunto: o aglomerado é grande demais para qualquer ocular. Use o telescópio apenas para examinar os pares de estrelas do grupo ou para comparar a cor alaranjada de Aldebaran com o branco das estrelas vizinhas.

A partir do Brasil

Norte e Nordeste

No Norte e no Nordeste as Híades alcançam cerca de 70° de altura em Belém e Fortaleza e perto de 60° em Salvador, sempre voltadas para o norte. Em dezembro e janeiro elas cruzam o meridiano em plena noite. A estação chuvosa amazônica, que começa em dezembro, costuma atrapalhar; tente em outubro e novembro, quando o Touro já está alto depois das 22h e as noites são mais secas.

Centro-Oeste e Sudeste

Em Brasília e Goiânia o V culmina a cerca de 57° de altura; em São Paulo, Rio e Belo Horizonte, a cerca de 50°. É altura confortável para binóculo em qualquer varanda com vista para o norte. As noites secas de novembro e as de fevereiro após frentes frias costumam ser as melhores; o período de dezembro e janeiro tem muita nebulosidade de verão.

Sul

Em Porto Alegre as Híades culminam a cerca de 43° e em Curitiba um pouco mais, voltadas para o norte. O verão no Sul tem céu mais estável que no Centro-Oeste, e as noites de janeiro e fevereiro entre 21h e 23h mostram o V com clareza. Perto do horizonte norte, no entanto, a luz de cidades vizinhas pode apagar as estrelas mais fracas do grupo.

Limitações e cuidados

  • Entre abril e junho o Touro está perto do Sol e as Híades ficam invisíveis; retornam ao céu da madrugada em julho.
  • A Lua cheia perto do Touro apaga as estrelas mais fracas do V e deixa só Aldebaran e as quatro ou cinco principais.
  • Por ser muito espalhado, o aglomerado não impressiona em telescópio; não espere um campo cheio de estrelas como nas Plêiades.

Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.

Curiosidades

Na mitologia grega as Híades eram irmãs das Plêiades, filhas de Atlas, e seu nome ligava-se à chuva: os gregos associavam o nascer e o pôr do grupo ao início da estação úmida no Mediterrâneo.

Para os Guarani do Paraná, as Híades fazem parte da grande constelação do Homem Velho. O astrônomo Germano Afonso registrou que o V do Touro, incluindo Aldebaran, era chamado de Tapi'i rainhykã, a mandíbula da anta, enquanto as Plêiades, logo acima, eram Eixu, o ninho de abelhas.

As Híades e o Aglomerado Colmeia (M44), em Câncer, têm idade semelhante e se movem na mesma direção no espaço. Por isso astrônomos suspeitam que os dois grupos nasceram da mesma grande nuvem de gás, há 600 a 800 milhões de anos, e se separaram desde então.

Com uma distância conhecida tão precisamente, as Híades funcionam como régua de calibração: a relação entre cor e brilho de suas estrelas serve para estimar a distância de aglomerados muito mais longínquos, pelo método da paralaxe fotométrica.

Termos de apoio

Aglomerado aberto

Grupo de estrelas que nasceram juntas e viajam juntas, fracamente ligadas pela gravidade. As Híades, com mais de 600 milhões de anos, estão lentamente se dispersando e já perderam suas estrelas mais massivas. Saiba mais →

Paralaxe

Deslocamento aparente de uma estrela quando a Terra muda de posição em sua órbita. É a forma mais direta de medir distâncias; o Hipparcos usou paralaxes de estrelas individuais das Híades para fixar a distância do aglomerado. Saiba mais →

Anã branca

Núcleo quente e compacto que sobra quando uma estrela parecida com o Sol esgota seu combustível. Nas Híades, duas anãs brancas mostram sinais de ter engolido asteroides rochosos. Saiba mais →

Movimento próprio

Deslocamento lento de uma estrela no céu ao longo dos anos, medido em segundos de arco. Estrelas de um mesmo aglomerado compartilham o movimento próprio, o que permite distinguir membros de estrelas que apenas estão na mesma direção. Saiba mais →

Fontes consultadas

  1. SIMBAD Astronomical Database (CDS) — Cl Melotte 25 (Hyades) — tipo de objeto, coordenadas, paralaxe Gaia DR2 (21,052 mas) e designações
  2. Perryman, M. A. C. et al. (1998). The Hyades: distance, structure, dynamics, and age. Astronomy & Astrophysics, 331, 81 — distância de 46,34 ± 0,27 pc, idade de 625 ± 50 milhões de anos, raio de maré, dispersão de velocidades e membros
  3. ESA/Hubble — Hubble finds dead stars "polluted" with planetary debris (heic1309) — distância de 150 anos-luz, idade de 625 milhões de anos e anãs brancas com silício
  4. SEDS Messier Database — Messier 44 (Praesepe) e Messier 45 (Pleiades) — ausência das Híades nos catálogos de Messier e NGC, semelhança com M44, Aldebaran como estrela de primeiro plano a 68 anos-luz
  5. Lima, F. P.; Moreira, I. C. (2005). Tradições astronômicas tupinambás na visão de Claude D'Abbeville. Revista da SBHC, v. 3, n. 1, p. 4-19 — constelação do Homem Velho e nomes guarani Tapi'i rainhykã (Híades) e Eixu (Plêiades), segundo Germano Afonso
  6. ESA/Hubble — Overview of the Hyades star cluster (heic1309c) — imagem de solo e crédito

Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.

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