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Aldebaran

O olho alaranjado do Touro

Outros nomes e designações: Aldebarã, Alfa Tauri, α Tau, HD 29139, HIP 21421, HR 1457

Melhor época no Brasil: Novembro a março, no início da noite; culmina em meados de dezembro, voltada para o norte

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Visão geral

Aldebaran é a estrela alaranjada que marca o olho do Touro, uma das constelações mais antigas e reconhecíveis do céu. Nas noites de verão brasileiro ela fica no caminho entre as Três Marias e o aglomerado das Plêiades, e é a primeira parada natural de quem está aprendendo a navegar pelo céu a partir de Órion. Seu brilho e sua cor a tornam inconfundível.

Aldebaran é também um exemplo próximo e bem estudado de gigante alaranjada, o tipo de estrela em que o Sol vai se transformar. A 67 anos-luz, ela é uma das gigantes mais próximas de nós, e por isso seu tamanho pôde ser medido diretamente. E ela guarda uma controvérsia: a existência de um planeta gigante em sua órbita, anunciada em 2015 e questionada em 2019.

Características

Aldebaran é uma estrela de tipo espectral K5 III, com temperatura superficial de cerca de 4.050 K, bem mais fria que o Sol. Sua massa é parecida com a solar, cerca de 1,1 massa solar, mas ela já esgotou o hidrogênio do núcleo e inchou: medidas interferométricas dão um raio de cerca de 45 raios solares. No lugar do Sol, ela ocuparia cerca de metade da distância até Mercúrio, e seu disco, visto da Terra, seria cerca de 20° de largura.

O SIMBAD classifica Aldebaran como candidata a variável de longo período; seu brilho oscila de forma muito pequena, por décimos de magnitude, imperceptível a olho nu. Essa variabilidade está ligada à atmosfera extensa e convectiva típica das gigantes.

Em 2015, uma equipe liderada por Artie Hatzes publicou mais de 30 anos de medidas de velocidade radial de Aldebaran e concluiu que havia um sinal periódico de 629 dias compatível com um planeta de pelo menos 6,5 massas de Júpiter, a cerca de 1,5 unidade astronômica da estrela. Em 2019, porém, um estudo com dados adicionais do Observatório Lick mostrou que o sinal não se mantém estável ao longo do tempo e que um modelo com um planeta deixa resíduos grandes demais. Os autores concluíram que as evidências para Aldebaran b ficaram enfraquecidas e sugeriram que oscilações na própria estrela podem explicar a variação. O caso continua em aberto.

Onde fica no céu

A maneira mais simples de achar Aldebaran é usar as Três Marias: prolongue a linha do cinturão de Órion para o lado oposto a Sirius por cerca de 20°, uma mão aberta com o braço esticado, e você chega a uma estrela alaranjada brilhante. Continuando na mesma direção por mais 14°, encontra as Plêiades. Aldebaran está na ponta de um "V" de estrelas mais fracas, as Híades, que formam a cabeça do Touro.

Embora pareça parte das Híades, Aldebaran não pertence ao aglomerado: ela está muito mais perto de nós e apenas se projeta na mesma direção. Com declinação de +16,5°, ela culmina na direção norte em todo o Brasil, mais alta no Norte e mais baixa no Sul.

Como observar

Orientação geral, não previsão. As indicações de época e altura valem para o Brasil em geral e para o início da noite. Para a posição exata na sua cidade, data e horário, consulte um planisfério ou aplicativo de planetário, como explicamos em Como ler um mapa celeste.

A olho nu, Aldebaran é um ponto alaranjado nítido, de cor um pouco menos intensa que a de Betelgeuse. Em binóculos, o espetáculo melhora muito: o campo inclui o "V" das Híades, dezenas de estrelas espalhadas em um aglomerado aberto próximo e brilhante, com Aldebaran dominando a cena.

Telescópios não acrescentam detalhe à estrela em si, mas a região é rica em pares de estrelas e no aglomerado. Como Aldebaran fica perto da eclíptica, vale acompanhar as ocultações pela Lua, quando a estrela desaparece de repente atrás do limbo lunar escuro e reaparece do outro lado, um evento visível em binóculos.

A partir do Brasil

Norte e Nordeste

Em Belém e Fortaleza, Aldebaran sobe a cerca de 70° de altura, voltada para o norte; em Salvador, a cerca de 60°. De novembro a março ela está bem posicionada no início da noite. A estação chuvosa de grande parte da região coincide com essa janela, então aproveite as noites claras de novembro e as madrugadas de outubro.

Centro-Oeste e Sudeste

Em Brasília e Goiânia, Aldebaran alcança cerca de 58° de altura; em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, cerca de 50°. Ela culmina por volta das 21h em meados de dezembro e permanece boa para observação até março, no início da noite. Em noites de verão com céu limpo após frentes frias, as Híades ficam especialmente bonitas em binóculos.

Sul

No Sul, Aldebaran fica mais baixa, a cerca de 43° em Porto Alegre e um pouco mais em Florianópolis e Curitiba, sempre na direção norte. Ainda é uma altura confortável. Dezembro a fevereiro são os melhores meses; procure um horizonte norte livre para acompanhá-la desde o início da noite.

Limitações e cuidados

  • Entre o fim de maio e o começo de julho, Aldebaran está no céu diurno e não pode ser observada; ela reaparece de madrugada em agosto.
  • Luar forte apaga as Híades e deixa Aldebaran isolada; para apreciar o aglomerado, prefira noites sem Lua.
  • O suposto planeta Aldebaran b não é observável por nenhum meio amador e sua existência ainda é debatida.

Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.

Curiosidades

A sonda Pioneer 10, lançada pela NASA em 1972 e a primeira a atravessar o cinturão de asteroides e visitar Júpiter, segue hoje em direção aproximada a Aldebaran. Segundo a NASA, ela deve passar pelas vizinhanças da estrela em cerca de 2 milhões de anos. O último sinal da sonda foi recebido em 2003.

O nome Aldebaran vem do árabe e significa "a seguidora", porque a estrela parece seguir as Plêiades pelo céu ao longo da noite, nascendo logo depois delas.

A luz de Aldebaran que chega hoje aos seus olhos saiu da estrela há cerca de 67 anos, no fim da década de 1950, antes do lançamento do primeiro satélite artificial. É uma das poucas estrelas brilhantes cuja luz tem idade comparável à de uma pessoa.

Por estar a poucos graus da eclíptica, Aldebaran é uma das raras estrelas de primeira grandeza que a Lua oculta periodicamente. Esses eventos, visíveis em binóculos, mostram de forma dramática o movimento da Lua entre as estrelas: a estrela some em uma fração de segundo atrás do limbo lunar.

Termos de apoio

Gigante alaranjada

Estrela de massa parecida com a do Sol que esgotou o hidrogênio do núcleo e se expandiu dezenas de vezes, esfriando a superfície para cerca de 4.000 K. Aldebaran e Arcturus são os exemplos mais brilhantes do céu. Saiba mais →

Velocidade radial

Velocidade com que uma estrela se aproxima ou se afasta de nós, medida pelo deslocamento das linhas do espectro. Um planeta em órbita faz a estrela oscilar e produz variações periódicas na velocidade radial; foi esse o método usado para procurar Aldebaran b. Saiba mais →

Aglomerado aberto

Grupo de dezenas a milhares de estrelas que nasceram juntas da mesma nuvem e ainda viajam juntas. As Híades, atrás de Aldebaran, são o aglomerado aberto mais próximo do Sol; Aldebaran apenas se projeta sobre ele. Saiba mais →

Ocultação

Passagem de um corpo, em geral a Lua, na frente de uma estrela, escondendo-a por algum tempo. Aldebaran, por estar perto da eclíptica, é uma das poucas estrelas brilhantes ocultadas regularmente pela Lua. Saiba mais →

Fontes consultadas

  1. SIMBAD Astronomical Database (CDS) — Aldebaran (alf Tau) — designações, tipo espectral, magnitude, paralaxe, tipo de variável e coordenadas
  2. Hatzes, A. P. et al. (2015). Long-lived, long-period radial velocity variations in Aldebaran: A planetary companion and stellar activity. Astronomy & Astrophysics, 580, A31 — massa, raio, temperatura efetiva, distância e parâmetros do planeta candidato
  3. Reichert, K. et al. (2019). Precise radial velocities of giant stars. XII. Evidence against the proposed planet Aldebaran b. Astronomy & Astrophysics, 625, A22 — contestação do planeta Aldebaran b
  4. NASA Science — Pioneer 10 — trajetória da sonda em direção a Aldebaran, datas de lançamento e último contato

Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.

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