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Plêiades (M45)

O aglomerado aberto mais famoso do céu, as Sete Irmãs do Touro

Outros nomes e designações: M45, Messier 45, Sete Irmãs, Setestrelo, Melotte 22, Eixu (guarani), Seichu (tupinambá), Subaru (japonês)

Melhor época no Brasil: Novembro a fevereiro, no início da noite; em outubro nasce a leste depois das 21h e em março se despede a oeste

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Grupo compacto de estrelas azuis brilhantes envoltas em véus de nebulosidade azulada sobre fundo escuro cheio de estrelas fracas.
As Plêiades em mosaico do Palomar Observatory Sky Survey, divulgado quando o Hubble refinou a distância do aglomerado para cerca de 440 anos-luz. Crédito: NASA, ESA and AURA/Caltech (CC BY 4.0 (ESA/Hubble)). Fonte: esahubble.org/images/opo0420a.

Visão geral

As Plêiades são o aglomerado de estrelas mais reconhecido da humanidade. Em quase todas as culturas que deixaram registros do céu há um nome para esse pequeno cacho de pontos azulados no Touro: Sete Irmãs para os gregos, Subaru para os japoneses, Kiymah na Bíblia hebraica, Eixu para os Guarani do Brasil. O desenho das seis ou sete estrelas mais brilhantes lembra uma pequena concha.

O que faz as Plêiades tão especiais é a combinação de proximidade, juventude e brilho. A cerca de 440 anos-luz, elas estão entre os aglomerados abertos mais próximos do Sol. Suas estrelas principais são quentes, azuis e jovens, com cerca de 100 milhões de anos, e ainda atravessam uma nuvem de poeira que reflete sua luz em delicados véus azulados. É um objeto que recompensa qualquer instrumento, do olho nu ao telescópio.

Características

As Plêiades são um aglomerado aberto: um grupo de estrelas que nasceram juntas da mesma nuvem de gás e ainda viajam juntas pelo espaço, mas sem a concentração compacta dos aglomerados globulares. O catálogo SIMBAD registra o movimento comum do grupo e a distância medida pela missão Gaia, equivalente a cerca de 136 parsecs. Levantamentos modernos contam mais de mil membros, a maioria estrelas fracas e pequenas; apenas uma dúzia é visível a olho nu.

As estrelas mais brilhantes recebem os nomes das sete filhas de Atlas e Pleione na mitologia grega: Alcyone, Atlas, Electra, Maia, Merope, Taygeta e Pleione, além de Celaeno e Asterope. São estrelas de tipo espectral B, quentes e azuis, várias delas girando tão depressa que ficam achatadas; Pleione chegou a expulsar uma concha de gás, observada entre 1938 e 1952.

Um detalhe curioso: as nebulosas azuis que envolvem Merope e Maia, muito fotografadas, não são o berço do aglomerado. Elas pertencem a uma nuvem de poeira que cruza o caminho das Plêiades a cerca de 11 km/s, e brilham simplesmente porque refletem a luz das estrelas. A nebulosa de Merope, NGC 1435, foi descoberta por Wilhelm Tempel em 1859 com um refrator de apenas 10 cm.

A distância das Plêiades virou um dos debates mais conhecidos da astrometria moderna. O satélite Hipparcos, da ESA, mediu cerca de 120 parsecs (392 anos-luz), valor curto demais para os modelos de evolução estelar. Em 2014, uma equipe liderada por Carl Melis usou radiotelescópios em rede (VLBI) e obteve 136,2 ± 1,2 parsecs, resultado publicado na revista Science. A missão Gaia confirmou o valor maior, e hoje a distância de cerca de 440 anos-luz é a aceita.

Onde fica no céu

As Plêiades ficam no ombro do Touro, a cerca de 10° a noroeste de Aldebaran, a estrela alaranjada que marca o olho do animal. Uma forma segura de chegar lá é usar as Três Marias, em Órion: siga a linha do cinturão no sentido oposto a Sirius. Você passa por Aldebaran e, continuando mais um palmo, encontra o pequeno cacho prateado.

Com declinação de +24°, o aglomerado é um objeto do hemisfério norte celeste. Do Brasil ele nunca passa pelo zênite, mas culmina confortavelmente alto em todo o país durante as noites de verão, sempre na metade norte do céu. Como está a apenas 4° da eclíptica, a Lua passa por perto todo mês e, de tempos em tempos, oculta estrelas do grupo.

Como observar

Orientação geral, não previsão. As indicações de época e altura valem para o Brasil em geral e para o início da noite. Para a posição exata na sua cidade, data e horário, consulte um planisfério ou aplicativo de planetário, como explicamos em Como ler um mapa celeste.

A olho nu, em céu urbano, você distingue um borrão com três a cinco pontos. Em céu escuro, seis ou sete estrelas saltam aos olhos e observadores atentos chegam a contar mais de dez. Um teste clássico de qualidade de céu é justamente contar quantas Plêiades você enxerga sem instrumento.

O binóculo é o instrumento ideal. Um 7×50 ou 10×50 mostra dezenas de estrelas enquadradas no mesmo campo, com as mais brilhantes formando a conchinha e um fundo de pontos fracos entre elas. É uma das vistas mais bonitas que um binóculo comum oferece.

Em telescópio pequeno, use sempre a menor ampliação possível: o aglomerado tem quase 2° e não cabe em oculares de alta potência. Com céu muito escuro e óptica limpa, um refletor de 100 mm a 150 mm pode mostrar a nebulosa de Merope como um sopro de luz ao lado da estrela; compare com outras estrelas do campo para não confundir com embaçamento da lente.

A partir do Brasil

Norte e Nordeste

No Norte e no Nordeste as Plêiades alcançam a maior altura do país: cerca de 60° a 65° acima do horizonte norte em Belém e Fortaleza, e perto de 53° em Salvador. Em dezembro e janeiro elas cruzam o meridiano por volta das 21h. O desafio é o clima: a estação chuvosa amazônica e o litoral nordestino têm muitas noites nubladas entre dezembro e maio, por isso aproveite outubro e novembro, quando o aglomerado já está alto depois das 22h.

Centro-Oeste e Sudeste

Em Brasília e Goiânia o aglomerado culmina a cerca de 50° de altura, e em São Paulo, Rio e Belo Horizonte a cerca de 42°, sempre voltado para o norte. É altura suficiente para uma visão nítida em binóculo durante todo o verão. Prefira noites secas após a passagem de frentes frias, comuns em novembro, e evite o período de Lua cheia, que apaga as estrelas mais fracas do grupo.

Sul

No Sul as Plêiades ficam mais baixas: cerca de 36° em Porto Alegre e um pouco mais em Florianópolis e Curitiba. Ainda é uma altura boa, mas a turbulência próxima ao horizonte norte pode fazer as estrelas tremerem em noites de vento. Em compensação, o verão gaúcho costuma ter céu mais estável e seco que o do Centro-Oeste, e as noites de janeiro e fevereiro são ótimas para observá-las entre 21h e 23h.

Limitações e cuidados

  • Entre abril e junho as Plêiades estão perto do Sol e não podem ser vistas; reaparecem na madrugada a partir de julho.
  • Poluição luminosa reduz drasticamente o número de estrelas visíveis: na cidade você vê três ou quatro, no campo mais de dez.
  • A nebulosidade azul exige céu muito escuro e aparece com facilidade apenas em fotografias de longa exposição.

Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.

Curiosidades

Para os povos Tupi-Guarani as Plêiades eram um dos marcadores centrais do calendário. O astrônomo Germano Afonso, que estudou o céu guarani por décadas, registrou que o nome guarani do grupo é Eixu, que significa "ninho de abelhas", e que seu primeiro aparecimento no horizonte leste antes do nascer do Sol, na primeira quinzena de junho, marcava o início do ano.

Esse conhecimento é antigo. Em 1612, o missionário francês Claude d'Abbeville passou quatro meses entre os Tupinambá do Maranhão e registrou que eles chamavam o aglomerado de Seichu e sabiam que ele "começa a aparecer alguns dias antes das chuvas e desaparece no fim das mesmas", usando esse ciclo para contar um ano inteiro. Os historiadores Flávia Pedroza Lima e Ildeu de Castro Moreira analisaram esse relato e mostraram que ele bate com a estação chuvosa maranhense, de dezembro a maio.

Em 1767 o reverendo inglês John Michell usou as Plêiades em um dos primeiros argumentos estatísticos da astronomia. Ele calculou que a chance de tantas estrelas brilhantes se alinharem por acaso em uma área tão pequena era de uma em quase 500 mil, e concluiu que elas deviam estar fisicamente ligadas. Estava certo.

Termos de apoio

Aglomerado aberto

Grupo de dezenas a milhares de estrelas que nasceram juntas da mesma nuvem e ainda se movem em conjunto, mas estão fracamente ligadas pela gravidade. Com o tempo se dispersam; as Plêiades devem se desfazer em algumas centenas de milhões de anos. Saiba mais →

Paralaxe

Pequeno deslocamento aparente de uma estrela quando a Terra muda de lado em sua órbita. Quanto menor a paralaxe, mais distante a estrela. Foi medindo paralaxes que Hipparcos, o VLBI e o Gaia chegaram a distâncias diferentes para as Plêiades. Saiba mais →

Nebulosa de reflexão

Nuvem de poeira que não emite luz própria, mas espalha a luz de estrelas próximas. Como a poeira espalha melhor o azul, essas nebulosas têm a cor azulada típica dos véus em torno de Merope e Maia. Saiba mais →

Magnitude aparente

Escala de brilho em que números menores indicam astros mais brilhantes. A magnitude integrada de 1,6 das Plêiades soma a luz de todas as estrelas do grupo, por isso é mais brilhante que qualquer membro isolado. Saiba mais →

Fontes consultadas

  1. SIMBAD Astronomical Database (CDS) — M 45 (Cl Melotte 22) — tipo de objeto, coordenadas, paralaxe Gaia DR2 (7,364 mas), movimento próprio e designações
  2. SEDS Messier Database — Messier 45 (Pleiades) — magnitude, tamanho aparente, idade (Meynet et al. 1993), histórico, nebulosas, Michell 1767 e data de Messier
  3. Melis, C. et al. (2014). A VLBI resolution of the Pleiades distance controversy. Science, 345, 1029 — distância por VLBI de 136,2 ± 1,2 pc; comparação com Hipparcos (120,2 ± 1,5 pc)
  4. NASA Science — Hubble Messier Catalog: Messier 45 — número de estrelas (mais de mil), distância de cerca de 445 anos-luz e nebulosa de Merope
  5. ESA/Hubble — Hubble Refines Distance to the Pleiades Star Cluster (opo0420a) — imagem e crédito; medida de distância do Hubble com os Fine Guidance Sensors (cerca de 440 anos-luz)
  6. Lima, F. P.; Moreira, I. C. (2005). Tradições astronômicas tupinambás na visão de Claude D'Abbeville. Revista da SBHC, v. 3, n. 1, p. 4-19 — nome Seichu, citação de d'Abbeville sobre as chuvas, Eixu como "ninho de abelhas" e nascer helíaco em junho segundo Germano Afonso
  7. Afonso, G. B. (2006). Mitos e estações no céu Tupi-Guarani. Scientific American Brasil, edição especial Etnoastronomia — papel das Plêiades no calendário tupi-guarani e relato de d'Abbeville em 1612

Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.

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