Leão (Leo)
A Foice com Regulus, o leão do zodíaco e as galáxias do outono
Outros nomes e designações: Leo, O Leão, Foice (asterismo)
Melhor época no Brasil: Fevereiro a junho, no início da noite; mais alto em abril, sempre no céu voltado para o norte
Visão geral
O Leão é uma das poucas constelações do zodíaco que realmente se parece com o que representa: um leão deitado, com a cabeça e a juba desenhadas por um arco de estrelas, o corpo esticado para leste e a cauda terminando em Denebola. No coração do animal brilha Regulus, a estrela mais próxima da eclíptica entre as de primeira magnitude, por onde a Lua e os planetas passam com frequência.
Para o observador brasileiro, o Leão é a constelação do outono, alta no céu voltado para o norte entre março e maio. Vale conhecê-la pelo asterismo da Foice, que ajuda a se orientar na parte norte do céu, e porque suas fronteiras guardam alguns dos grupos de galáxias mais fáceis para telescópios pequenos.
Características
Regulus (α Leonis) tem magnitude 1,40 e é uma estrela B8 branco-azulada a 79 anos-luz, que gira tão depressa sobre si mesma que fica achatada. O nome latino significa pequeno rei, e ela fica a menos de meio grau da eclíptica, de modo que é ocultada pela Lua com regularidade e ocasionalmente por planetas.
A cabeça e o peito do leão formam a Foice, um ponto de interrogação invertido com Regulus na base: dali para o norte seguem η Leonis (magnitude 3,41), Algieba (γ, magnitude 2,23), Adhafera (ζ, magnitude 3,41), Rasalas (μ, magnitude 3,88) e Algenubi (ε, magnitude 2,98). Algieba é uma estrela dupla famosa, um par de gigantes alaranjadas de tipos K1 e G7 a cerca de 130 anos-luz, separável em telescópios pequenos.
O corpo é um triângulo a leste: Zosma (δ, magnitude 2,53, a 58 anos-luz) e Chertan (θ, magnitude 3,35) marcam a anca, e Denebola (β, magnitude 2,13), uma estrela A3 a apenas 36 anos-luz, é a ponta da cauda. O nome vem do árabe para cauda do leão.
O Leão está longe do plano da Via Láctea, e por isso a visão se abre para outras galáxias. Sob a barriga do leão, entre Chertan e ι Leonis, fica o Trio do Leão: M66 (magnitude 8,9) e M65 (magnitude 10,3), espirais a cerca de 35 milhões de anos-luz descobertas por Messier em 1780, e NGC 3628, encontrada por William Herschel em 1784. Mais a oeste, a meio caminho de Regulus, está o grupo M96: a espiral M96 (magnitude 10,1), a espiral barrada M95 (magnitude 9,7) e a elíptica M105 (magnitude 10,2), entre 32 e 35 milhões de anos-luz, descobertas por Pierre Méchain em 1781.
Onde fica no céu
Em abril, por volta das 21h, olhe para o alto do céu na direção norte e procure uma estrela branca brilhante e isolada: é Regulus. Acima dela, para o norte, se desenha a curva da Foice; a leste, a cerca de 25°, está Denebola, fechando o corpo. Do Brasil o leão aparece de cabeça para baixo em relação aos mapas do hemisfério norte, com a Foice pendendo abaixo de Regulus quando a constelação está perto do horizonte norte.
Outra referência é Spica, na Virgem, mais a leste e um pouco mais ao sul: Regulus, Denebola e Spica formam um grande triângulo achatado. O Leão faz fronteira com Câncer a oeste, o Leão Menor e a Ursa Maior ao norte, a Cabeleira de Berenice e a Virgem a leste, e a Taça, o Sextante e a Hidra ao sul.
Como observar
Regulus, Denebola e Algieba são visíveis de qualquer cidade, e a Foice inteira aparece em céu de bairro. A olho nu, não há mais o que ver: o Leão é uma constelação de estrelas isoladas em um fundo pobre, sem Via Láctea.
Em telescópio pequeno, Algieba se separa em duas estrelas douradas com cerca de 4 segundos de arco de distância, um dos pares mais bonitos do céu. As galáxias exigem céu escuro: com 100 mm de abertura, M65, M66 e NGC 3628 cabem no mesmo campo como três manchas alongadas, e M95, M96 e M105 aparecem como borrões ovais. Binóculos grandes, sob céu muito escuro, mostram M66 e M96 como pontos difusos.
A partir do Brasil
Norte e Nordeste
No Norte e no Nordeste o Leão passa quase pelo zênite. Em Belém e Fortaleza, Regulus culmina a cerca de 75° de altura, voltada para o norte, e a Foice chega a cerca de 68°. Em Salvador, Regulus passa a cerca de 65°. Março e abril, por volta das 21h, são o auge; no Nordeste oriental ainda é fim da estação chuvosa, então vale aproveitar as noites limpas de maio e junho, com a constelação já descendo no oeste.
Centro-Oeste e Sudeste
Em Brasília e Goiânia, Regulus culmina a cerca de 62° de altura; em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a cerca de 55°. A Foice fica mais baixa, a cerca de 50° em São Paulo. O outono seco e com noites claras é uma boa época para as galáxias, que ficam na melhor posição de março a maio, por volta das 21h.
Sul
No Sul, o Leão fica nitidamente mais baixo, porque toda a constelação está no hemisfério norte celeste. Em Porto Alegre, Regulus culmina a cerca de 48° de altura, Denebola a cerca de 45° e Algieba a cerca de 40°, sempre no céu norte. É uma boa altura para as estrelas, mas as galáxias, já fracas, sofrem com a camada extra de atmosfera e com qualquer luz urbana no horizonte norte.
Limitações e cuidados
- Entre julho e setembro o Leão está próximo do Sol e não pode ser observado; reaparece de madrugada em outubro.
- As galáxias do Leão são alvos de telescópio sob céu escuro; a Lua e a poluição luminosa as apagam por completo.
- Quanto mais ao sul o observador, mais baixa a constelação; no Sul, observe-a perto da culminação.
Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.
Curiosidades
Na mitologia grega, o Leão é o Leão de Nemeia, de pele invulnerável, estrangulado por Hércules no primeiro de seus doze trabalhos e colocado no céu por Zeus. A figura é muito mais antiga: na Mesopotâmia já havia um leão nesse trecho do zodíaco, UR.GU.LA, e Regulus era a estrela que fica no peito do leão.
A chuva de meteoros Leônidas irradia da região da Foice em meados de novembro. É produzida pelo cometa 55P/Tempel-Tuttle e costuma ser fraca, mas a cada 33 anos, aproximadamente, pode virar tempestade: em 1966, milhares de meteoros por minuto caíram durante um intervalo de 15 minutos, e a última tempestade ocorreu em 2002. Do Brasil, o radiante só sobe depois da meia-noite.
A IAU adotou a abreviação Leo em 1922. Com as fronteiras de Eugène Delporte, aprovadas em 1928 e publicadas em 1930, o Leão ficou com 947 graus quadrados, a 12ª maior área do céu. Os nomes Regulus e Denebola foram oficializados em junho de 2016, e Algieba, Zosma e Chertan em julho do mesmo ano.
M105 não constava do catálogo original de Messier. Ela foi incluída apenas em 1947, quando a astrônoma Helen Sawyer Hogg encontrou uma carta de Pierre Méchain descrevendo a galáxia, descoberta por ele em 1781, dias depois de M95 e M96.
Dentro das fronteiras do Leão está Wolf 359, uma anã vermelha a cerca de 7,8 anos-luz, uma das estrelas mais próximas do Sol, invisível sem telescópio por causa de sua baixa luminosidade.
Termos de apoio
Asterismo
Figura de estrelas que o olho reconhece com facilidade, mas que não é uma constelação oficial. A Foice do Leão usa seis estrelas da própria constelação, de Regulus a Algenubi. Saiba mais →
Eclíptica
Caminho aparente do Sol pelo céu ao longo do ano, que a Lua e os planetas acompanham de perto. Regulus está a menos de meio grau dela, por isso é ocultada pela Lua com frequência. Saiba mais →
Declinação
Coordenada celeste equivalente à latitude. Como o Leão tem declinação positiva, ele culmina mais baixo quanto mais ao sul está o observador: a diferença entre Fortaleza e Porto Alegre é de cerca de 26°. Saiba mais →
Grupo de galáxias
Conjunto de algumas dezenas de galáxias ligadas pela gravidade. O Trio do Leão e o grupo M96 são dois exemplos próximos, a cerca de 35 milhões de anos-luz, visíveis em telescópios de pequeno porte. Saiba mais →
Fontes consultadas
- IAU — The Constellations (FAQ): história de 1922, 1925, 1928 e 1930, lista de abreviações — abreviação Leo e histórico das fronteiras de Delporte
- IAU — Arquivo de fronteiras oficiais da constelação Leo — vértices da fronteira; faixa de ascensão reta e declinação
- Wikipedia (em inglês) — IAU designated constellations by solid angle, com base em Delporte (1930) — área de 946,964 graus quadrados e posição 12ª; citada como Wikipedia
- SIMBAD Astronomical Database (CDS) — alf Leo, bet Leo, gam01 Leo, gam02 Leo, del Leo, eps Leo, zet Leo, tet Leo, mu. Leo, eta Leo, M 65, M 66, NGC 3628, M 95, M 96, M 105 — magnitudes V, tipos espectrais, coordenadas e paralaxes; distâncias calculadas a partir da paralaxe
- IAU Working Group on Star Names — Catalog of Star Names (IAU-CSN) — nomes oficiais Regulus, Denebola, Algieba, Zosma e Chertan e datas de aprovação
- NASA — Hubble's Messier Catalog: Messier 66 e Messier 65 — magnitudes 8,9 e 10,3, distância de 35 milhões de anos-luz, Messier 1780, NGC 3628 por Herschel em 1784
- NASA — Hubble's Messier Catalog: Messier 96, Messier 95 e Messier 105 — magnitudes 10,1, 9,7 e 10,2; distâncias de 32 a 35 milhões de anos-luz; Méchain 1781; inclusão de M105 em 1947 por Helen Sawyer Hogg
- NASA — Leonids meteor shower — pico em meados de novembro, cometa 55P/Tempel-Tuttle, tempestade de 1966, ciclo de ~33 anos, última tempestade em 2002
- Wikipedia (em inglês) — Leo (constellation), com referências a White (2008), Ridpath & Tirion e Kirkpatrick et al. (2024) — Leão de Nemeia, UR.GU.LA, estrelas da Foice, Wolf 359 a 7,8 anos-luz; citada como Wikipedia
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Enorme e discreta, Virgem tem uma única estrela muito brilhante, Spica, mas esconde o aglomerado de galáxias mais próximo da Via Láctea. É o céu de outono por excelência para quem tem um telescópio.

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Duas estrelas brilhantes lado a lado, Castor e Pollux, dão nome a esta constelação zodiacal. Ela acompanha Órion pelo céu de verão e guarda o aglomerado M35, um belo alvo para binóculos.
Arcturus
A estrela mais brilhante do hemisfério norte celeste é uma gigante alaranjada a 37 anos-luz, velha e pobre em metais. Do Brasil, aparece ao norte nas noites de outono e inverno.

Galáxia do Sombrero (M104)
Um bojo luminoso cercado por um anel escuro de poeira, parecido com um chapéu mexicano. Fica a cerca de 28 a 30 milhões de anos-luz e é um alvo clássico de telescópios pequenos nas noites de outono.

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