Gêmeos
Castor e Pollux, os irmãos que marcam o norte do céu de verão
Outros nomes e designações: Gemini, Gem, Os Gêmeos
Melhor época no Brasil: Dezembro a abril, no início da noite, voltada para o norte
Visão geral
Gêmeos é uma das doze constelações do zodíaco, a faixa do céu por onde passam o Sol, a Lua e os planetas. Para quem observa do Brasil, ela aparece no verão, no lado norte do céu, logo acima de Órion. Suas duas estrelas principais, Castor e Pollux, ficam tão próximas e têm brilho tão parecido que são lembradas há milênios como um par de irmãos.
Vale a pena conhecê-la por três motivos: é fácil de identificar, serve de referência para acompanhar os planetas que passam pelo zodíaco e abriga M35, um dos aglomerados abertos mais bonitos ao alcance de binóculos. Em dezembro, dela parecem irradiar as Gemínidas, uma das chuvas de meteoros mais intensas do ano.
Características
Apesar de levar a letra beta, Pollux (β Gem) é a estrela mais brilhante da constelação, com magnitude 1,14. É uma gigante alaranjada de tipo K0, a cerca de 34 anos-luz, segundo a paralaxe do SIMBAD. Castor (α Gem), de magnitude 1,58, é branca e azulada, um sistema múltiplo em que os dois componentes principais, de tipos A1 e A2, podem ser separados em telescópios pequenos. Ela fica a cerca de 51 anos-luz.
A diferença de cor entre as duas é perceptível a olho nu quando você compara uma com a outra: Pollux puxa para o laranja, Castor para o branco. A terceira estrela em brilho é Alhena (γ Gem), de magnitude 1,92, uma subgigante branca a cerca de 110 anos-luz que marca o pé de um dos gêmeos, bem perto de Órion.
Mekbuda (ζ Gem), de magnitude média 3,8, é uma cefeida clássica: uma supergigante amarela que pulsa de forma regular, com variação de brilho perceptível em binóculos ao longo de dias. Estrelas desse tipo foram fundamentais para medir distâncias de galáxias.
O objeto de céu profundo mais importante é M35 (NGC 2168), um aglomerado aberto de magnitude 5,3 e cerca de 38 minutos de arco de diâmetro, do tamanho aparente da Lua cheia, a cerca de 2.800 anos-luz, segundo a NASA. Ele fica no pé do gêmeo Castor, na borda com o Touro. No mesmo campo de um telescópio pequeno aparece NGC 2158, um aglomerado bem mais compacto e muito mais distante, de apenas 5 minutos de arco, que parece uma mancha densa ao lado do primeiro.
Em telescópios pequenos e médios, vale procurar NGC 2392, uma nebulosa planetária de magnitude 9,7 e cerca de 20 segundos de arco, com um disco esverdeado e uma estrela central visível. Ela fica na parte leste da constelação, perto de Wasat (δ Gem).
Onde fica no céu
Comece por Órion, que domina o céu de verão. Trace uma linha de Rigel, a estrela azul do pé de Órion, passando por Betelgeuse, a estrela avermelhada do ombro, e siga adiante por mais uns 25°. Você chegará a Castor e Pollux, lado a lado, separadas por cerca de 4,5°, o que cabe no campo de um binóculo comum.
Outra referência é Procyon, a estrela brilhante do Cão Menor. Castor e Pollux ficam a cerca de 25° a noroeste dela. Do Brasil, a figura aparece invertida em relação aos mapas do hemisfério norte: os pés, perto de Órion, ficam mais altos e as cabeças, Castor e Pollux, mais baixas.
As constelações vizinhas são Lince (Lynx) e Cocheiro (Auriga) ao norte, Touro a oeste, Órion e Unicórnio (Monoceros) ao sul, Cão Menor a sudeste e Câncer a leste.
Como observar
Castor, Pollux e Alhena são visíveis a olho nu mesmo de cidades grandes. As demais estrelas que desenham os corpos dos gêmeos têm magnitude entre 3 e 4 e pedem céu de subúrbio ou melhor.
Binóculos mostram M35 como uma nuvem de pontos finos e deixam ver a variação de brilho de Mekbuda de uma noite para outra. Um telescópio pequeno separa os componentes de Castor, revela NGC 2158 ao lado de M35 e mostra NGC 2392 como um pequeno disco. Como o zodíaco passa por aqui, é comum encontrar um planeta brilhante "intruso" na figura.
A partir do Brasil
Norte e Nordeste
É a região do país que vê Gêmeos mais alta: Pollux, na declinação +28°, culmina a cerca de 60° de altura em Belém e Fortaleza, e a cerca de 49° em Salvador. O centro da constelação, perto de +22°, chega a mais de 65° no Norte. O clima, porém, atrapalha: a melhor época coincide com a estação chuvosa na Amazônia e com o inverno nordestino. Aproveite as noites limpas de dezembro e janeiro, mais tarde da noite, e de março, no início da noite.
Centro-Oeste e Sudeste
Em Brasília e Goiânia, Pollux chega a cerca de 46° de altura; em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a cerca de 38°. A figura inteira fica confortável, acima da camada mais turbulenta do horizonte, entre janeiro e março por volta das 21h. Em abril ela já está inclinada para o noroeste no início da noite.
Sul
De Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, Pollux não passa de uns 32° de altura e Castor, de uns 28°. A constelação ainda é bem visível, mas fica na metade baixa do céu norte, onde a poluição luminosa das cidades pesa mais. Prefira locais com horizonte norte escuro e observe de janeiro a março, quando Gêmeos está no ponto mais alto no início da noite.
Limitações e cuidados
- Entre junho e julho o Sol atravessa Gêmeos e a constelação não pode ser vista; ela retorna ao céu da madrugada em agosto.
- A Lua, que percorre o zodíaco, passa por Gêmeos todo mês e, quando está cheia, apaga M35 e as estrelas fracas da figura.
- As Gemínidas têm radiante em declinação positiva, de modo que do Sul do Brasil os meteoros aparecem mais baixos e em menor número do que no hemisfério norte.
Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.
Curiosidades
Na mitologia grega, Castor e Pólux eram os Dióscuros, filhos de Leda. Pólux era imortal, filho de Zeus; Castor, mortal, filho do rei Tíndaro. Quando Castor morreu, Pólux pediu para dividir sua imortalidade com o irmão, e Zeus colocou ambos no céu.
A chuva de meteoros Gemínidas, com pico por volta de 13 e 14 de dezembro, é uma das mais intensas do ano. Segundo a NASA, em céu escuro é possível ver dezenas de meteoros por hora, com picos que podem chegar a 120. O corpo de origem não é um cometa, e sim o asteroide 3200 Phaethon, o que a torna uma chuva atípica.
Dois planetas do Sistema Solar foram descobertos em Gêmeos. William Herschel encontrou Urano em 1781 perto da estrela η Gem, e Clyde Tombaugh identificou Plutão em 1930 em placas fotográficas centradas em δ Gem (fonte: Wikipedia, verbete Gemini).
Termos de apoio
Zodíaco
Faixa do céu, de cerca de 8° de cada lado da eclíptica, por onde o Sol, a Lua e os planetas parecem se deslocar. Gêmeos é uma das 12 constelações atravessadas por ela, por isso planetas aparecem com frequência dentro da figura. Saiba mais →
Magnitude aparente
Escala de brilho em que números menores significam astros mais brilhantes. Pollux tem 1,14 e Castor 1,58; M35, com 5,3, está no limite do que se vê a olho nu em céu escuro. Saiba mais →
Cefeida
Estrela supergigante que pulsa com período regular, variando de brilho. O período está ligado à luminosidade real, o que permite calcular distâncias; Mekbuda, em Gêmeos, é uma das cefeidas mais fáceis de acompanhar. Saiba mais →
Aglomerado aberto
Grupo de estrelas jovens nascidas da mesma nuvem e que ainda viajam juntas pela Via Láctea. M35 é um exemplo brilhante, com centenas de estrelas. Saiba mais →
Fontes consultadas
- IAU — The Constellations (página oficial arquivada, com cartas Sky & Telescope e arquivos de fronteira) — abreviação, genitivo, fronteiras de Delporte (1930) e vértices em ascensão reta e declinação (arquivo gem.txt)
- Wikipedia (en) — IAU designated constellations by solid angle (tabela baseada em Delporte, 1930) — área de 513,761 graus quadrados e posição no ranking; fonte secundária, usada para o valor da área
- SIMBAD (CDS) — Pollux, Castor, Alhena, zeta Gem — magnitudes, tipos espectrais e paralaxes; distâncias calculadas a partir das paralaxes
- NASA — Hubble's Messier Catalog: Messier 35 — magnitude 5,3, distância de cerca de 2.800 anos-luz e descoberta por de Chéseaux em 1745
- SIMBAD (CDS) — M 35, NGC 2158 e NGC 2392 — diâmetros aparentes de M35 (38,3′) e NGC 2158 (5,3′); magnitude 9,68 e tamanho de NGC 2392
- NASA Science — Geminids — datas de pico, taxas horárias e corpo de origem (3200 Phaethon)
- Wikipedia (en) — Gemini (constellation) — mitologia, descoberta de Urano e Plutão na constelação e constelações vizinhas; fonte secundária
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Órion (Orion)
A constelação mais fácil de reconhecer do céu de verão. As Três Marias marcam o cinturão do caçador, entre a supergigante vermelha Betelgeuse e a azul Rigel, e abaixo delas brilha a Nebulosa de Órion.

Touro (Taurus)
Um V de estrelas com a alaranjada Aldebaran na ponta forma a cabeça do Touro, e sobre o ombro dele brilham as Plêiades, o aglomerado mais famoso do céu. É a constelação zodiacal do verão brasileiro, vizinha de Órion.

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Pequena mas inconfundível, a constelação do Cão Maior abriga Sirius, a estrela mais brilhante da noite, e o aglomerado aberto M41. No verão ela cruza o céu quase sobre a cabeça de todo o Brasil.

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