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Alfa Centauri

O sistema estelar mais próximo do Sol, com três estrelas

Outros nomes e designações: Rigil Kentaurus, Toliman, Alfa Centauri A e B, α Cen, HD 128620, HD 128621, HIP 71683, HIP 71681, Proxima Centauri (componente C)

Melhor época no Brasil: Março a agosto, no início da noite; culmina no fim de maio, alta no céu do Sul e mais baixa no Norte

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Duas estrelas muito brilhantes lado a lado, com picos de difração em cruz, sobre fundo escuro.
Alfa Centauri A (à esquerda) e B (à direita) registradas pelo Telescópio Espacial Hubble; Proxima fica fora do campo. Crédito: ESA/Hubble & NASA (CC BY 4.0 (ESA/Hubble)). Fonte: esahubble.org/images/potw1635a.

Visão geral

Alfa Centauri é a vizinha mais próxima do Sol e a terceira estrela mais brilhante do céu noturno. Para quem observa do Brasil, ela tem um papel especial: junto com Beta Centauri forma o par conhecido como "os Guardas" ou "os ponteiros" do Cruzeiro do Sul, indicando onde está a pequena constelação mais famosa do nosso céu. Esse par é um dos primeiros que qualquer iniciante aprende a reconhecer nas noites de outono e inverno.

A olho nu Alfa Centauri parece uma única estrela amarelada, mas um telescópio pequeno revela duas: Alfa Centauri A, muito parecida com o Sol, e Alfa Centauri B, um pouco menor e mais alaranjada. Há ainda uma terceira componente, a anã vermelha Proxima Centauri, invisível sem instrumentos, que é a estrela mais próxima do Sistema Solar e hospeda pelo menos um planeta de massa parecida com a da Terra.

Características

Alfa Centauri A é uma estrela de tipo espectral G2 V, exatamente a mesma classe do Sol. Ela tem cerca de 1,1 massa solar, raio de 1,22 raio solar e temperatura superficial próxima de 5.800 K, o que a torna cerca de 50% mais luminosa que o Sol. Alfa Centauri B é de tipo K1 V, com 0,94 massa solar, 0,86 raio solar e temperatura de cerca de 5.230 K; ela emite pouco mais da metade da luz do Sol. Esses valores vêm de medidas interferométricas feitas com o VLTI, do ESO, e são alguns dos mais precisos obtidos para estrelas além do Sol.

As duas giram em torno do centro de massa comum em uma órbita alongada, com período de 79,9 anos e excentricidade de 0,52. Por isso a separação entre elas vista da Terra muda muito ao longo das décadas: em alguns anos são fáceis de separar em qualquer telescópio; em outros ficam tão próximas que exigem abertura maior e boa estabilidade atmosférica.

Proxima Centauri é uma anã vermelha de tipo M5.5, com magnitude 11,1, invisível a olho nu. Está a 4,25 anos-luz do Sol, um pouco mais perto que o par A-B, e fica cerca de 2° afastada dele no céu. Medidas de velocidade radial de alta precisão mostraram em 2017 que ela está ligada gravitacionalmente ao par, orbitando A e B em cerca de 550 mil anos, hoje a cerca de 13 mil unidades astronômicas de distância.

Em 2016, astrônomos do ESO anunciaram a descoberta de Proxima b, um planeta com massa mínima de 1,3 vez a da Terra que completa uma volta em torno de Proxima a cada 11,2 dias, a cerca de 7 milhões de quilômetros da estrela. Como Proxima é fraca e fria, essa distância coloca o planeta dentro da zona habitável, onde água líquida poderia existir na superfície, embora as fortes explosões de radiação da estrela tornem incerto se isso acontece.

Onde fica no céu

Alfa Centauri fica na constelação do Centauro, imediatamente a leste do Cruzeiro do Sul. A maneira mais fácil de achá-la é localizar o Cruzeiro e procurar, à esquerda dele (para quem olha para o sul), duas estrelas brilhantes alinhadas: a mais próxima do Cruzeiro é Beta Centauri, azulada; a mais afastada e mais brilhante é Alfa Centauri, amarelada. Uma linha que passa por elas aponta para o Cruzeiro.

Com declinação de cerca de −61°, Alfa Centauri é muito austral. Isso significa que ela sobe mais no céu quanto mais ao sul estiver o observador e que, em cidades como Porto Alegre, ela mal chega a se pôr: fica rente ao horizonte sul no ponto mais baixo da sua volta diária.

Como observar

Orientação geral, não previsão. As indicações de época e altura valem para o Brasil em geral e para o início da noite. Para a posição exata na sua cidade, data e horário, consulte um planisfério ou aplicativo de planetário, como explicamos em Como ler um mapa celeste.

A olho nu, basta reconhecer a cor amarelada e o brilho, muito superior ao das estrelas vizinhas. Em binóculos ela continua sendo um ponto único, mas a cor fica mais evidente. Com um telescópio pequeno, de 60 mm a 100 mm, e aumento de 100 vezes ou mais, as duas componentes A e B aparecem como dois discos de brilho desigual, amarelo e alaranjado: uma das estrelas duplas mais bonitas do céu.

Proxima Centauri exige um mapa detalhado e um telescópio médio, pois tem magnitude 11 e está num campo cheio de estrelas semelhantes. É um alvo para observadores experientes, mais pela satisfação de ver a estrela mais próxima do Sol do que por qualquer detalhe visível.

A partir do Brasil

Norte e Nordeste

Em Belém e Fortaleza, Alfa Centauri sobe a apenas cerca de 30° a 33° de altura, na direção sul, e passa várias horas abaixo do horizonte. Em Salvador chega a cerca de 42°. A melhor janela vai de abril a julho, no início da noite, quando ela e o Cruzeiro estão perto do meridiano. Escolha locais com horizonte sul livre e aproveite o período mais seco, a partir de junho.

Centro-Oeste e Sudeste

Em Brasília e Goiânia, Alfa Centauri alcança cerca de 45° de altura; em São Paulo e no Rio de Janeiro, cerca de 53°. Ela é visível em alguma hora da noite durante a maior parte do ano, e entre abril e agosto está alta logo depois do anoitecer. As noites secas do inverno são ideais para separar o par A-B ao telescópio, pois a atmosfera costuma estar mais estável.

Sul

No Sul, Alfa Centauri chega a quase 60° de altura e, em Porto Alegre, praticamente não se põe: no ponto mais baixo da sua volta ela fica junto ao horizonte sul. Isso significa que, de Santa Catarina para o sul, ela pode ser vista em qualquer noite do ano, baixa ou alta. O período de abril a agosto continua sendo o melhor para observá-la no início da noite.

Limitações e cuidados

  • Entre novembro e janeiro, Alfa Centauri fica baixa no sul ou abaixo do horizonte no início da noite, especialmente no Norte e no Nordeste; nesses meses ela só aparece de madrugada.
  • A separação entre A e B muda com o ciclo orbital de 80 anos; nas fases de aproximação, telescópios pequenos podem não conseguir separar o par.
  • Lua cheia e poluição luminosa dificultam localizar Proxima.

Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.

Curiosidades

A luz de Alfa Centauri que chega aos seus olhos hoje saiu de lá há pouco mais de quatro anos. É a menor "viagem" de luz possível para qualquer estrela além do Sol, e por isso o sistema é o alvo natural de qualquer projeto de sonda interestelar.

Alfa Centauri A e B são, provavelmente, as estrelas mais bem medidas do céu depois do Sol: a proximidade permite determinar massas, raios e temperaturas com erros de menos de 1%, o que as transforma em laboratório para testar modelos de evolução estelar.

Proxima Centauri é uma estrela de explosões: ela libera com frequência erupções de radiação muito mais intensas, em proporção, que as do Sol. Isso é um dos principais obstáculos para a habitabilidade de Proxima b.

Termos de apoio

Ano-luz

Distância que a luz percorre em um ano, cerca de 9,46 trilhões de quilômetros. Alfa Centauri, a 4,4 anos-luz, é a estrela mais próxima do Sol, mas mesmo assim está cerca de 280 mil vezes mais longe que ele. Saiba mais →

Estrela dupla

Duas estrelas que giram em torno de um centro de massa comum. Alfa Centauri A e B formam uma dupla verdadeira, com período de cerca de 80 anos; Proxima é uma terceira componente muito afastada. Saiba mais →

Tipo espectral

Classificação das estrelas pela temperatura da superfície, com as letras O, B, A, F, G, K e M, do mais quente ao mais frio. Alfa Centauri A é G2 V, como o Sol; B é K1 V, um pouco mais fria; Proxima é M5.5, uma anã vermelha. Saiba mais →

Zona habitável

Faixa de distâncias em torno de uma estrela em que a temperatura permite água líquida na superfície de um planeta. Para uma estrela fraca como Proxima, essa faixa fica muito perto da estrela. Saiba mais →

Fontes consultadas

  1. SIMBAD Astronomical Database (CDS) — alf Cen A, alf Cen B e Proxima Centauri — designações, tipos espectrais, magnitudes, paralaxes e coordenadas das três componentes
  2. Kervella, P., Bigot, L., Gallenne, A. e Thévenin, F. (2017). The radii and limb darkenings of α Centauri A and B. Astronomy & Astrophysics, 597, A137 — raios, temperaturas efetivas, luminosidades e massas adotadas
  3. Pourbaix, D. e Boffin, H. M. J. (2016). Parallax and masses of α Centauri revisited. Astronomy & Astrophysics, 586, A90 — período orbital, excentricidade, semieixo maior e massas
  4. Kervella, P., Thévenin, F. e Lovis, C. (2017). Proxima's orbit around α Centauri. Astronomy & Astrophysics, 598, L7 — ligação gravitacional de Proxima, período de cerca de 550 mil anos e separação atual
  5. ESO — Planet Found in Habitable Zone Around Nearest Star (eso1629) — descoberta de Proxima b: massa mínima, período e distância à estrela
  6. ESA/Hubble — Best image of Alpha Centauri A and B (potw1635a) — imagem do par A-B e crédito

Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.

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