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Centauro (Centaurus)

A casa das estrelas mais próximas do Sol e do maior aglomerado globular

Outros nomes e designações: Centaurus, O Centauro

Melhor época no Brasil: Março a julho, no início da noite; mais alto em maio, logo a leste do Cruzeiro do Sul

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Carta celeste da constelação Centaurus com estrelas, linhas de ligação e limites oficiais da IAU.
Carta oficial da constelação Centaurus (Centauro (Centaurus)), com os limites definidos pela União Astronômica Internacional e as estrelas até a magnitude 6,5. Crédito: IAU e Sky & Telescope (Roger Sinnott e Rick Fienberg) (CC BY 3.0). Fonte: iauarchive.eso.org/public/themes/constellations.

Visão geral

O Centauro é uma das constelações mais ricas do céu austral e, ao mesmo tempo, uma das menos lembradas, porque a atenção costuma ir toda para o Cruzeiro do Sul, que ele envolve por três lados. É a nona maior das 88 constelações e contém duas das dez estrelas mais brilhantes do céu, Alfa e Beta Centauri, as Apontadoras que conduzem o olhar até a cruz.

Vale conhecê-lo porque ali estão objetos de recorde: Alfa Centauri, o sistema estelar mais próximo do Sol; Ômega Centauri, o maior e mais brilhante aglomerado globular da Via Láctea, visível a olho nu; e Centaurus A, a galáxia ativa mais próxima da Terra. Do Brasil, tudo isso passa alto no céu de outono.

Características

Alfa Centauri (α Centauri) é um sistema triplo. As duas estrelas principais, Rigil Kentaurus (A, de magnitude 0,01 e tipo espectral G2, quase um gêmeo do Sol) e Toliman (B, de magnitude 1,33 e tipo K1), orbitam uma em torno da outra e aparecem a olho nu como um só ponto de magnitude −0,1, o terceiro mais brilhante do céu noturno. A paralaxe de 751 milissegundos de arco coloca o par a 4,34 anos-luz (1,33 parsecs). A terceira estrela, Proxima Centauri, é uma anã vermelha de magnitude 11,1 a 4,25 anos-luz, a estrela mais próxima do Sol, mas só visível em telescópio.

Beta Centauri, ou Hadar (magnitude 0,58), fica a 4,5° a oeste de Alfa. Apesar de parecer sua irmã, é uma gigante azul de tipo B1 a cerca de 390 anos-luz, muito mais luminosa e distante. Ao norte, o corpo do centauro se espalha por estrelas de segunda e terceira magnitude: Menkent (θ, magnitude 2,05, a 59 anos-luz), γ Centauri (magnitude 2,17), ε (2,30), η (2,31) e ζ (2,55).

Ômega Centauri (NGC 5139) é uma bola de estrelas a cerca de 17 mil anos-luz, tão grande no céu que, de um lugar escuro, ocupa quase o diâmetro da Lua cheia. Ptolomeu a registrou como estrela, Edmond Halley a descreveu como nebulosa em 1677 e John Herschel, na década de 1830, a reconheceu como aglomerado globular. Observações do Hubble e do Gemini apontaram em 2008 um possível buraco negro de cerca de 40 mil massas solares em seu centro, e há a hipótese de que ela seja o núcleo de uma galáxia anã desmontada pela Via Láctea.

A 4,5° ao norte de Ômega fica Centaurus A (NGC 5128), uma galáxia elíptica a cerca de 12 milhões de anos-luz cortada por uma faixa escura de poeira, resto de uma galáxia espiral que ela engoliu. É a radiogaláxia mais destacada do céu e tem um buraco negro central de cerca de 100 milhões de massas solares. Com magnitude 6,8, aparece em binóculos como uma mancha redonda e em telescópios pequenos já mostra a faixa de poeira. Completam a lista os aglomerados abertos NGC 3766 (magnitude 5,3) e NGC 5460 (5,6) e a Planetária Azul, NGC 3918, de magnitude 8,5.

Onde fica no céu

Comece pelo Cruzeiro do Sul. A leste dele, duas estrelas brilhantes e próximas entre si, quase na mesma linha do braço horizontal da cruz, são Beta e Alfa Centauri, nessa ordem a partir da cruz. Elas representam as patas dianteiras do centauro; o corpo e a cabeça se estendem para o norte, em direção à Virgem e à Hidra, por uma área enorme de estrelas mais fracas.

Para achar Ômega Centauri, localize ζ Centauri, a estrela de magnitude 2,5 que fica cerca de 13° ao norte de Beta Centauri, e siga 5° para o oeste. A olho nu o aglomerado parece uma estrela de quarta magnitude fora de foco. Centaurus A fica 4,5° ao norte de Ômega, quase na mesma ascensão reta.

O Centauro faz fronteira com a Hidra e a Virgem ao norte, a Balança e o Lobo a leste, o Cruzeiro do Sul, a Mosca e o Esquadro ao sul, e a Vela e a Carina a oeste.

Como observar

Orientação geral, não previsão. As indicações de época e altura valem para o Brasil em geral e para o início da noite. Para a posição exata na sua cidade, data e horário, consulte um planisfério ou aplicativo de planetário, como explicamos em Como ler um mapa celeste.

Alfa e Beta Centauri são visíveis de qualquer cidade. Em céu escuro, a Via Láctea atravessa o sul da constelação e Ômega Centauri aparece a olho nu sem dificuldade. Binóculos mostram Ômega como um disco difuso maior que qualquer outro globular, Centaurus A como uma pequena névoa e dezenas de estrelas nos aglomerados NGC 3766 e NGC 5460.

Em telescópio pequeno, Ômega Centauri se resolve em centenas de pontos até o centro, um dos espetáculos mais lembrados por quem observa o céu do sul pela primeira vez. Alfa Centauri se separa em duas estrelas amarelas com facilidade. Centaurus A exige céu escuro e abertura de pelo menos 100 mm para mostrar a faixa de poeira.

A partir do Brasil

Norte e Nordeste

Em Belém e Fortaleza, Alfa Centauri culmina a cerca de 30° de altura, baixa mas acessível, e Ômega Centauri, com declinação −47°, chega a cerca de 44°. A parte norte da constelação, onde estão Menkent e Centaurus A, passa alta. A melhor janela é abril a julho, no início da noite, já em céu mais seco no litoral nordestino.

Centro-Oeste e Sudeste

Em Brasília e Goiânia, Alfa Centauri sobe a cerca de 45° e Ômega Centauri a cerca de 59°. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, Alfa chega a 53°, Ômega passa a cerca de 66° e Centaurus A a cerca de 70°. De abril a junho, por volta das 21h, com o inverno seco começando, é a melhor época do ano para explorar a constelação em binóculos.

Sul

Em Porto Alegre, Alfa e Beta Centauri, com declinação em torno de −60°, estão no limite da circumpolaridade: tecnicamente nunca se põem, apenas roçam o horizonte sul em novembro. Ômega Centauri culmina a cerca de 73° e Centaurus A a cerca de 77°. O Sul tem, portanto, a visão mais completa e duradoura do Centauro, com as Apontadoras visíveis em todas as noites do ano.

Limitações e cuidados

  • O corpo norte da constelação, de estrelas fracas, desaparece sob poluição luminosa; nas cidades, só as Apontadoras e Menkent permanecem.
  • Entre outubro e dezembro Alfa e Beta Centauri ficam muito baixas ou abaixo do horizonte no Norte e no Nordeste à noite.
  • Proxima Centauri é um alvo para telescópios médios com carta detalhada, não para iniciantes.

Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.

Curiosidades

Os gregos viam na constelação um centauro, e Ovídio, nos Fastos, a identifica com Quíron, o sábio tutor de Hércules, Teseu e Jasão, ferido por acidente por uma flecha envenenada do próprio Hércules e colocado no céu por Zeus. Eudoxo a menciona no século IV a.C., Arato no século III a.C., e Ptolomeu catalogou 37 de suas estrelas no século II, incluindo as que hoje formam o Cruzeiro do Sul, que era visto como as patas traseiras do animal.

A Via Láctea que atravessa o sul do Centauro é, para povos tupi-guarani, parte do grande desenho da Ema (Guyra Nhandu), que se estende da região do Cruzeiro do Sul até o Escorpião e marca o começo do inverno quando aparece inteira no leste em junho.

A IAU adotou a abreviação Cen em 1922, e as fronteiras de Eugène Delporte, aprovadas em 1928 e publicadas em 1930, separaram definitivamente o Cruzeiro do Sul, que até então ainda era desenhado por alguns atlas dentro do Centauro. Com 1.060 graus quadrados, a constelação ficou com a nona maior área do céu.

Os nomes Hadar e Menkent foram oficializados pela IAU em 2016. Rigil Kentaurus, do árabe para pé do centauro, recebeu aprovação em novembro de 2016 para Alfa Centauri A, e Toliman, em 2018, para Alfa Centauri B. A luz que sai do sistema hoje chega à Terra em pouco mais de quatro anos.

Termos de apoio

Paralaxe

Pequeno deslocamento aparente de uma estrela próxima em relação às distantes quando a Terra muda de posição em sua órbita. Quanto maior a paralaxe, mais perto está a estrela; a de Alfa Centauri, 751 milissegundos de arco, é a maior entre as estrelas visíveis a olho nu. Saiba mais →

Aglomerado globular

Esfera densa de centenas de milhares de estrelas velhas que orbita o halo da galáxia. Ômega Centauri é o maior da Via Láctea, com cerca de 10 vezes a massa dos outros grandes globulares. Saiba mais →

Radiogaláxia

Galáxia cujo buraco negro central lança jatos de partículas que brilham intensamente em ondas de rádio. Centaurus A é a mais próxima e mais destacada do céu; em luz visível mostra uma galáxia elíptica cortada por poeira. Saiba mais →

Circumpolar

Astro que nunca se põe para um observador porque gira em torno do polo celeste sem tocar o horizonte. Alfa e Beta Centauri são circumpolares para quem está ao sul da latitude 30° S. Saiba mais →

Fontes consultadas

  1. IAU — The Constellations (FAQ): história de 1922, 1925, 1928 e 1930, lista de abreviações — abreviação Cen e histórico das fronteiras de Delporte
  2. IAU — Arquivo de fronteiras oficiais da constelação Centaurus — vértices da fronteira; faixa de ascensão reta e declinação
  3. Wikipedia (em inglês) — IAU designated constellations by solid angle, com base em Delporte (1930) — área de 1.060,422 graus quadrados e posição 9ª; citada como Wikipedia
  4. SIMBAD Astronomical Database (CDS) — alf Cen, alf Cen A, alf Cen B, Proxima Centauri, bet Cen, tet Cen, gam Cen, eps Cen, eta Cen, zet Cen, NGC 5128, NGC 3766, NGC 5460, NGC 3918 — magnitudes V, tipos espectrais, coordenadas e paralaxes; distâncias calculadas a partir da paralaxe
  5. IAU Working Group on Star Names — Catalog of Star Names (IAU-CSN) — nomes oficiais Rigil Kentaurus, Toliman, Hadar e Menkent e datas de aprovação
  6. ESA/Hubble — Black hole found in enigmatic Omega Centauri (heic0809) — distância de 17 mil anos-luz, tamanho aparente, histórico (Ptolomeu, Halley 1677, Herschel), buraco negro de ~40 mil massas solares, hipótese de galáxia anã
  7. ESO — A Deeper Look at Centaurus A (eso1221) — distância de cerca de 12 milhões de anos-luz, radiogaláxia, buraco negro de ~100 milhões de massas solares, fusão de galáxias
  8. IAU Office of Astronomy for Education — Glossário: Escorpião — a constelação tupi-guarani da Ema (Guyra Nhandu) na região do Escorpião
  9. Wikipedia (em inglês) — Centaurus, com referências a Ridpath & Tirion (2017), Allen (1963) e White (2008) — mitologia (Quíron, Ovídio), Eudoxo, Arato, 37 estrelas de Ptolomeu, Cruzeiro como patas do centauro; citada como Wikipedia

Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.

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