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Canopus

A segunda estrela mais brilhante do céu, um farol do hemisfério sul

Outros nomes e designações: Canopo, Alfa Carinae, α Car, HD 45348, HIP 30438, HR 2326, Suhail

Melhor época no Brasil: Novembro a abril, no início da noite; culmina em janeiro, bem alta no céu do Sul do país

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Fotografia noturna feita do espaço: estrela muito brilhante, Canopus, sobre o horizonte escuro e curvo da Terra.
Canopus fotografada da Estação Espacial Internacional em fevereiro de 2003, brilhando acima do limbo da Terra. Crédito: NASA, Earth Science and Remote Sensing Unit, Johnson Space Center (foto do astronauta Donald R. Pettit, Expedição 6 da ISS) (Domínio público (NASA)). Fonte: eol.jsc.nasa.gov/SearchPhotos/photo.pl?mission=ISS006&roll=E&frame=28068.

Visão geral

Canopus é a segunda estrela mais brilhante de todo o céu noturno, atrás apenas de Sirius. Para quem observa do Brasil, ela é uma das grandes vantagens de morar no hemisfério sul: de boa parte da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia ela nunca nasce, enquanto aqui ela domina o céu de verão como um ponto branco com leve tom amarelado, firme e intenso, a sudoeste de Sirius.

Ao contrário de Sirius, que brilha por estar perto, Canopus brilha por ser enorme. Ela está a cerca de 310 anos-luz, quase 36 vezes mais longe que Sirius, e mesmo assim quase a alcança em brilho. Isso só é possível porque ela emite cerca de 16 mil vezes mais luz que o Sol. Conhecer Canopus é entender a diferença entre uma estrela que parece brilhante e uma estrela que realmente é luminosa.

Características

Canopus é uma estrela de tipo espectral A9 II no SIMBAD, o que a coloca entre as gigantes luminosas de cor branco-amarelada. Em muitos livros ela aparece como supergigante F0, e as duas classificações descrevem a mesma realidade: uma estrela que já saiu da sequência principal, inchou e esfriou na superfície. Sua temperatura efetiva é de cerca de 7.660 K, um pouco acima da do Sol, e por isso sua cor fica entre o branco e o amarelo.

Medidas feitas com o interferômetro VLTI, do ESO, determinaram o diâmetro angular de Canopus com grande precisão. Combinado com a distância do Hipparcos, esse valor resulta em um raio de cerca de 73 raios solares. Se Canopus estivesse no lugar do Sol, sua superfície chegaria perto da órbita de Mercúrio. A massa estimada fica perto de 10 massas solares, o que a condena a uma vida curta e a um final provável como supernova, ou, se perder massa suficiente, como uma anã branca muito massiva.

O mesmo estudo interferométrico encontrou indícios de estruturas na superfície da estrela, provavelmente células de convecção gigantes, semelhantes aos grânulos do Sol, mas em escala muito maior. Esses grânulos gigantes são um dos motivos de Canopus ser tão estudada por interferometria: ela é uma das poucas estrelas desse tipo grandes e brilhantes o bastante para que sua superfície seja resolvida.

Onde fica no céu

Canopus fica na constelação de Carina, a Quilha, um pedaço da antiga constelação do Navio Argo. A maneira mais simples de encontrá-la é partir de Sirius: nas noites de verão, Canopus está cerca de 36° ao sul-sudoeste de Sirius, um pouco mais de uma mão e meia aberta com o braço esticado. Como as duas são as estrelas mais brilhantes do céu, não há como confundir o par.

Com declinação de cerca de −53°, Canopus é uma estrela bem austral. Ela nunca passa pelo zênite em nenhuma cidade brasileira, mas sobe bastante no céu de todo o país e, no extremo sul, fica acima do horizonte por quase a noite inteira em boa parte do ano.

Como observar

Orientação geral, não previsão. As indicações de época e altura valem para o Brasil em geral e para o início da noite. Para a posição exata na sua cidade, data e horário, consulte um planisfério ou aplicativo de planetário, como explicamos em Como ler um mapa celeste.

Canopus é um alvo de olho nu, mesmo em cidades com forte poluição luminosa. Perto do horizonte ela cintila e muda de cor, como Sirius, por causa da turbulência atmosférica. Não há detalhe adicional a ver em binóculos ou telescópios, mas vale apontar o instrumento para ela e comparar sua tonalidade com a de Sirius, mais azulada, e a de Betelgeuse, claramente alaranjada.

Uma brincadeira útil para iniciantes é usar Canopus como medida de brilho: ela tem magnitude −0,74, e qualquer estrela mais fraca que ela no céu de verão (todas, exceto Sirius) pode ser comparada com esse padrão.

A partir do Brasil

Norte e Nordeste

Em Belém e Fortaleza, Canopus alcança cerca de 40° de altura ao cruzar o meridiano, voltada para o sul; em Salvador chega a cerca de 50°. É uma altura confortável, mas a melhor época (dezembro a março) coincide com a estação chuvosa de grande parte da Amazônia e do litoral nordestino. Aproveite as noites limpas de novembro, quando ela já está alta depois da meia-noite, e as de abril, quando aparece a sudoeste no início da noite.

Centro-Oeste e Sudeste

Em Brasília, Goiânia e Belo Horizonte, Canopus sobe a cerca de 53° de altura; em São Paulo e no Rio de Janeiro, a cerca de 60°. Ela culmina por volta das 21h em meados de janeiro e permanece bem visível no início da noite até abril. O verão chuvoso do Centro-Oeste e do Sudeste exige escolher noites de céu aberto, mais frequentes depois de passagens de frentes frias.

Sul

O Sul é a região do Brasil que melhor vê Canopus. Em Porto Alegre ela chega a cerca de 67° de altura e fica abaixo do horizonte por poucas horas em cada dia, de modo que pode ser vista, em alguma hora da noite, em quase todos os meses do ano. Nas noites secas de inverno ela aparece baixa no sul, de madrugada ou ao amanhecer; no verão, domina o alto do céu.

Limitações e cuidados

  • Entre o fim de maio e o começo de agosto, Canopus fica perto do Sol e é difícil ou impossível de observar no início da noite, sobretudo no Norte e no Nordeste.
  • No Norte do país ela nunca sobe muito e pode ficar escondida atrás de prédios ou árvores no horizonte sul.
  • Luar e poluição luminosa não a apagam, mas tornam difícil reconhecer as estrelas mais fracas de Carina ao redor.

Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.

Curiosidades

Canopus serviu de referência para a sonda Mariner 4, da NASA, a primeira a usar uma estrela para manter a orientação no espaço em sua viagem a Marte, em 1964–65. Por ser muito brilhante e estar longe da eclíptica, ela é fácil de identificar com um sensor simples, e rastreadores de estrelas semelhantes continuaram a ser usados por sondas interplanetárias nas décadas seguintes.

Na navegação marítima, Canopus é uma das estrelas-guia tradicionais do hemisfério sul. Seu nome vem, segundo a tradição, do piloto da frota de Menelau na mitologia grega, embora a origem exata da palavra seja discutida.

Se Canopus e Sirius estivessem à mesma distância da Terra, a comparação seria humilhante para Sirius: com cerca de 16 mil vezes a luminosidade do Sol contra cerca de 25 vezes, Canopus brilharia centenas de vezes mais. É a distância, 36 vezes maior, que as deixa quase empatadas no nosso céu.

A estrela foi fotografada da Estação Espacial Internacional pelo astronauta Donald Pettit, em 2003, com uma montagem caseira que compensava o movimento da estação para registrar as estrelas sem rastro.

Termos de apoio

Magnitude aparente

É a escala usada para medir o brilho dos astros vistos da Terra. Quanto menor o número, mais brilhante o objeto; Canopus, com −0,74, só perde para Sirius entre as estrelas noturnas. Saiba mais →

Luminosidade

É a quantidade total de luz que uma estrela emite, independentemente da distância. Canopus emite cerca de 16 mil vezes mais luz que o Sol; o brilho aparente menor que o de Sirius se deve apenas à distância muito maior. Saiba mais →

Tipo espectral

Classificação das estrelas pela temperatura da superfície, indicada pelas letras O, B, A, F, G, K e M. O algarismo romano indica a classe de luminosidade: II é gigante luminosa, entre as gigantes comuns (III) e as supergigantes (I). Saiba mais →

Culminação

Momento em que um astro cruza o meridiano e atinge a altura máxima no céu. Para estrelas austrais como Canopus, a culminação acontece na direção sul. Saiba mais →

Fontes consultadas

  1. SIMBAD Astronomical Database (CDS) — Canopus (alf Car) — designações, tipo espectral, magnitudes, paralaxe e coordenadas
  2. Domiciano de Souza, A. et al. (2021). Refined fundamental parameters of Canopus from combined near-IR interferometry and spectral energy distribution. Astronomy & Astrophysics, 654, A19 — diâmetro angular, raio, temperatura efetiva, luminosidade e massa
  3. Domiciano de Souza, A. et al. (2008). Diameter and photospheric structures of Canopus from AMBER/VLTI interferometry. Astronomy & Astrophysics, 489, L5 — primeira medida interferométrica do diâmetro e indícios de estruturas na superfície
  4. NASA/JPL — Five Ways Mariner 4 Changed Mars Exploration — uso de Canopus como referência de orientação pela Mariner 4
  5. NASA Johnson Space Center — Gateway to Astronaut Photography of Earth, foto ISS006-E-28068 — fotografia de Canopus feita da ISS em fevereiro de 2003

Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.

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