Pular para o conteúdo

Aglomerado Borboleta (M6)

Asas de estrelas azuis com uma gigante alaranjada, na cauda do Escorpião

Outros nomes e designações: M6, Messier 6, NGC 6405, Butterfly Cluster, Lacaille III.12

Melhor época no Brasil: Junho a agosto, no início da noite, com o Escorpião alto; em maio nasce a sudeste depois das 21h e em setembro já declina a oeste

Ver minha lista A lista fica guardada apenas neste navegador, sem cadastro.

Visão geral

O Aglomerado Borboleta é o vizinho menor e mais delicado do Aglomerado de Ptolomeu, na cauda do Escorpião. O apelido vem do desenho de suas estrelas mais brilhantes, que lembram um inseto de asas abertas quando vistas em binóculo ou telescópio de baixa ampliação. Para completar a cena, uma de suas estrelas é uma gigante alaranjada, que brilha como um olho colorido em uma das pontas da asa.

Para o observador brasileiro, M6 é um alvo de inverno que passa quase sobre a cabeça em boa parte do país. Ele fica a cerca de 1.600 anos-luz, quase o dobro da distância de M7, e por isso parece menor e mais compacto, com estrelas mais fracas. Essa diferença faz da dupla M6 e M7 uma comparação instrutiva entre dois aglomerados abertos vistos lado a lado.

Características

M6 é um aglomerado aberto jovem, com cerca de 100 milhões de anos segundo as estimativas de Robert Burnham e do banco de dados WEBDA, idade semelhante à das Plêiades. Em 1959 o astrônomo sueco Åke Wallenquist identificou cerca de 80 membros espalhados por uma região de 54 minutos de arco, embora a parte principal, a borboleta propriamente dita, ocupe apenas 20 a 25 minutos de arco, pouco menos que o diâmetro da Lua.

A distância do aglomerado mudou bastante ao longo do século XX. Estimativas antigas davam cerca de 2.000 anos-luz, mas a poeira interestelar na direção do centro da galáxia avermelha e enfraquece a luz das estrelas, o que levou a correções para cerca de 1.300 a 1.600 anos-luz. A paralaxe média medida pelo Gaia e registrada no SIMBAD, de 2,163 milissegundos de arco, corresponde a 462 parsecs, cerca de 1.500 anos-luz, confirmando os valores menores.

A estrela mais brilhante do grupo é BM Scorpii, uma supergigante alaranjada de tipo espectral K0 a K3 e variável semirregular, cujo brilho oscila entre as magnitudes 5,5 e 7. Como ela é a estrela mais luminosa do aglomerado, a magnitude total de M6 também varia com ela. As demais estrelas brilhantes são azuis, de tipos B4 a B9, e o contraste entre o laranja de BM Scorpii e o azul das vizinhas é a marca registrada do aglomerado em fotografias.

Onde fica no céu

Comece pelo ferrão do Escorpião, o par de estrelas Shaula e Lesath no fim da cauda curva. O Aglomerado Borboleta fica cerca de 5° ao norte do ferrão, e cerca de 4° a noroeste do Aglomerado de Ptolomeu, que é maior e mais brilhante. A estratégia mais simples é localizar M7 a olho nu e, com o binóculo, deslizar um pouco para o norte e para o oeste até encontrar o grupinho compacto.

Com declinação de −32°, M6 culmina por volta das 21h em julho e passa alto em todo o Brasil, quase pelo zênite no Sul. Em céu muito escuro ele é perceptível a olho nu como uma mancha fraca de magnitude 4, mas na maior parte das situações o binóculo é necessário para distingui-lo do fundo da Via Láctea.

Como observar

Orientação geral, não previsão. As indicações de época e altura valem para o Brasil em geral e para o início da noite. Para a posição exata na sua cidade, data e horário, consulte um planisfério ou aplicativo de planetário, como explicamos em Como ler um mapa celeste.

A olho nu, apenas em céu rural bem escuro, M6 aparece como uma mancha tênue ao norte de M7, fácil de perder entre as estrelas da Via Láctea. Com qualquer poluição luminosa ele desaparece, e por isso o binóculo é o equipamento mínimo prático para esse aglomerado.

Em binóculo 10×50 a borboleta toma forma: duas asas de estrelas azuis de magnitude 6 a 8 abertas em torno de um corpo central, com BM Scorpii brilhando alaranjada em uma das pontas. Compare com M7 no mesmo campo e note como M6 é mais compacto e mais fraco, consequência da distância maior.

Em telescópio pequeno, de 80 mm a 100 mm, com 30 a 50 vezes de ampliação, o aglomerado cabe inteiro na ocular e revela dezenas de estrelas, com a cor de BM Scorpii bem evidente. Em telescópio médio, de 150 mm a 250 mm, estrelas de magnitude 10 a 12 preenchem as asas e o formato fica menos óbvio, mas o campo ganha riqueza. Vale observar em noites diferentes para notar a variação de brilho da gigante alaranjada.

A partir do Brasil

Norte e Nordeste

Em Belém e Fortaleza o aglomerado culmina a cerca de 59° a 61° de altura, voltado para o sul; em Salvador, perto de 71°. São alturas excelentes, e o período de junho a agosto coincide com a estação seca em boa parte da região, o que garante noites limpas. Fuja das luzes da cidade: em céu urbano M6 exige binóculo e paciência para ser distinguido do fundo.

Centro-Oeste e Sudeste

Em Brasília e Goiânia M6 culmina a cerca de 74° de altura; em São Paulo, Rio e Belo Horizonte, a cerca de 81°, quase no zênite. O inverno seco do Centro-Oeste e do interior do Sudeste oferece as melhores noites do ano para objetos de céu profundo, e a dupla M6 e M7 é um dos programas mais gratificantes de junho e julho por volta das 21h.

Sul

No Sul o aglomerado passa praticamente sobre a cabeça: cerca de 88° em Porto Alegre e perto de 86° em Curitiba. Com o objeto no zênite, a atmosfera atrapalha o mínimo possível, e as noites frias e secas após frentes frias de inverno mostram M6 com estrelas finas e coloridas. Agasalhe-se e aproveite entre junho e agosto.

Limitações e cuidados

  • Entre novembro e janeiro o Escorpião está perto do Sol e M6 fica invisível; retorna à madrugada em fevereiro.
  • Diferentemente de M7, M6 não resiste bem à poluição luminosa a olho nu; em céu urbano ele só aparece em binóculo ou telescópio.
  • Luar forte apaga as estrelas de magnitude 7 e 8 que desenham as asas, e a borboleta perde o formato.

Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.

Curiosidades

O nome Aglomerado Borboleta vem do astrônomo amador americano Robert Burnham Jr., autor do célebre Burnham's Celestial Handbook, que descreveu o grupo como um conjunto encantador cujo arranjo sugere o contorno de uma borboleta com asas abertas. A comparação foi tão feliz que se tornou o nome usual do objeto.

A primeira observação registrada é do astrônomo siciliano Giovanni Battista Hodierna, antes de 1654, mas seus registros ficaram esquecidos até a década de 1980. Por isso, por muito tempo a descoberta foi atribuída ao suíço Philippe Loys de Chéseaux, que o redescobriu em 1745 ou 1746 e foi o primeiro a descrevê-lo como um belo aglomerado de estrelas.

Charles Messier catalogou M6 e M7 na mesma noite, em 23 de maio de 1764, quando mapeava a região do Escorpião e do Sagitário. Alguns autores sugeriram que a descrição de Ptolomeu da "nebulosa" após o ferrão do Escorpião poderia incluir M6, mas o SEDS considera essa hipótese improvável; a mancha de Ptolomeu corresponde a M7.

Termos de apoio

Aglomerado aberto

Grupo de dezenas a milhares de estrelas nascidas juntas da mesma nuvem, fracamente ligadas pela gravidade. M6, com cerca de 100 milhões de anos, tem idade parecida com a das Plêiades. Saiba mais →

Estrela variável

Estrela cujo brilho muda ao longo do tempo. BM Scorpii é uma variável semirregular: sua atmosfera inchada pulsa de forma irregular e seu brilho oscila em mais de uma magnitude ao longo de meses. Saiba mais →

Extinção interestelar

Enfraquecimento e avermelhamento da luz de uma estrela causado pela poeira entre ela e nós. Na direção do centro da Via Láctea a poeira é abundante, e ignorá-la levou a superestimar a distância de M6 por décadas. Saiba mais →

Tipo espectral

Classificação das estrelas pela temperatura da superfície, de O (mais quentes e azuis) a M (mais frias e vermelhas). Em M6 convivem estrelas B azuis e a supergigante K alaranjada BM Scorpii. Saiba mais →

Fontes consultadas

  1. SIMBAD Astronomical Database (CDS) — M 6 (NGC 6405) — tipo de objeto, coordenadas, paralaxe Gaia DR2 (2,1626 mas), tamanho de 20′ e designações
  2. SEDS Messier Database — Messier 6 (Butterfly Cluster) — magnitude 4,2, distância de 1.600 anos-luz, idade, 80 membros (Wallenquist 1959), BM Scorpii, histórico (Hodierna, de Chéseaux, Lacaille, Messier), nome dado por Burnham
  3. NASA Science — Hubble Messier Catalog: Messier 7 — contexto do par M6/M7 e ausência de M6 no catálogo de objetos fotografados pelo Hubble

Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.

Conteúdos relacionados

Constelação · Escorpião

Escorpião (Scorpius)

A supergigante vermelha Antares marca o coração de um escorpião que se estende por 500 graus quadrados de Via Láctea. Do Brasil ele passa quase a pino nas noites de inverno, cheio de aglomerados visíveis a olho nu.

Estrela · Escorpião

Antares

Supergigante vermelha que marca o coração do Escorpião, a cerca de 550 anos-luz e com 680 vezes o raio do Sol. Passa pelo zênite do Sul e do Sudeste do Brasil nas noites de inverno.

Constelação · Sagitário

Sagitário (Sagittarius)

Na direção do Sagitário fica o centro da Via Láctea, e por isso nenhuma constelação concentra tantos aglomerados e nebulosas visíveis em binóculos. Suas estrelas formam o asterismo do Bule de Chá, alto no céu de inverno do Brasil.

Nebulosa · Sagitário

Nebulosa da Lagoa (M8)

Uma das poucas nebulosas visíveis a olho nu, a Lagoa é uma nuvem de gás brilhante cortada por uma faixa escura, com um aglomerado jovem dentro. Passa quase sobre a cabeça no Brasil nas noites de inverno.

Galáxia

Via Láctea

A faixa esbranquiçada que cruza o céu em noites escuras é o disco da nossa própria galáxia, visto de dentro. O Brasil tem o centro dela quase sobre a cabeça nas noites de inverno.