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Tucano

A constelação austral que abriga 47 Tucanae e a Pequena Nuvem de Magalhães

Outros nomes e designações: Tucana, Tuc, O Tucano

Melhor época no Brasil: Agosto a janeiro, no início da noite; circumpolar no Sul do Brasil

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Carta celeste da constelação Tucana com estrelas, linhas de ligação e limites oficiais da IAU.
Carta oficial da constelação Tucana (Tucano), com os limites definidos pela União Astronômica Internacional e as estrelas até a magnitude 6,5. Crédito: IAU e Sky & Telescope (Roger Sinnott e Rick Fienberg) (CC BY 3.0). Fonte: iauarchive.eso.org/public/themes/constellations.

Visão geral

O Tucano é uma constelação que passaria despercebida se dependesse das próprias estrelas: a mais brilhante tem magnitude 2,8 e as demais ficam na faixa de 4 a 5. O que a torna obrigatória é o que ela contém. Dentro de seus limites estão 47 Tucanae, o segundo aglomerado globular mais brilhante do céu, e a maior parte da Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia inteira visível a olho nu.

Ela faz parte do grupo de constelações criadas no fim do século XVI por navegadores holandeses, que preencheram com animais exóticos o céu do sul, desconhecido dos gregos. Entre as declinações −56° e −75°, o Tucano é um alvo do hemisfério sul: do Sul do Brasil ele praticamente nunca se põe, e do Norte do país sobe o suficiente para ser estudado nas noites de primavera.

Características

A estrela α Tucanae, de magnitude 2,82, é uma gigante alaranjada de tipo K3 a cerca de 180 anos-luz, e também uma binária espectroscópica, segundo o SIMBAD. A segunda em brilho é γ Tucanae, de magnitude 3,98, uma estrela branca de tipo F4 a cerca de 74 anos-luz. β Tucanae, de magnitude 4,3 para o componente principal, é um sistema múltiplo cuja dupla mais larga pode ser separada em binóculos.

47 Tucanae (NGC 104) é a joia da constelação. Tem magnitude 4,09 e cerca de 44 minutos de arco de diâmetro, maior que a Lua cheia no céu, a cerca de 15.000 anos-luz, segundo o ESO. A olho nu parece uma estrela desfocada; em binóculos vira uma bola de luz de centro muito denso; em telescópios pequenos se resolve em milhares de pontos.

A Pequena Nuvem de Magalhães (NGC 292) é uma galáxia irregular anã, satélite da Via Láctea, a cerca de 200.000 anos-luz. Com magnitude integrada em torno de 2,2 e mais de 2,5° de extensão, ela aparece a olho nu como um pedaço destacado da Via Láctea. Binóculos mostram nódulos de brilho, regiões de formação de estrelas e aglomerados. Seu centro fica a pouco mais de 2° de 47 Tucanae, e os dois cabem no mesmo campo de um binóculo.

NGC 362 é o segundo aglomerado globular da constelação, de magnitude 6,6 e cerca de 13 minutos de arco, na borda norte da Pequena Nuvem. Ofuscado pelo vizinho famoso, é mesmo assim um ótimo alvo para telescópios pequenos. Vale lembrar que nem 47 Tucanae nem NGC 362 pertencem à Pequena Nuvem: estão em primeiro plano, dentro da nossa galáxia, a cerca de um décimo da distância.

Onde fica no céu

O ponto de partida é Achernar, a estrela brilhante que marca o fim do rio Erídano e domina a região. O Tucano fica a oeste e ao sul dela: 47 Tucanae está a cerca de 17° de Achernar, na direção do polo sul celeste, e α Tucanae a cerca de 25°, no sentido do Grou e de Fomalhaut. Em céu escuro a Pequena Nuvem salta aos olhos, e 47 Tucanae aparece como uma estrela borrada logo a oeste.

Outra referência é a Grande Nuvem de Magalhães, na Dourada: a Pequena Nuvem fica a cerca de 20° dela, na direção de Achernar. As duas Nuvens e Achernar formam um triângulo fácil de reconhecer no céu sul.

As constelações vizinhas são Grou (Grus) a norte, Índio (Indus) a oeste, Oitante (Octans) ao sul, Hidra Macho (Hydrus) a leste e Fênix a nordeste.

Como observar

Orientação geral, não previsão. As indicações de época e altura valem para o Brasil em geral e para o início da noite. Para a posição exata na sua cidade, data e horário, consulte um planisfério ou aplicativo de planetário, como explicamos em Como ler um mapa celeste.

O Tucano exige céu escuro para render. Em cidades, apenas α e γ Tucanae sobrevivem, e 47 Tucanae fica no limite do olho nu. Em um local rural, a Pequena Nuvem salta aos olhos e 47 Tucanae é inconfundível.

Binóculos são o instrumento ideal para a Pequena Nuvem e dão uma ótima visão de 47 Tucanae e β Tucanae. Um telescópio pequeno resolve as bordas de 47 Tucanae em estrelas e mostra NGC 362. Como a constelação fica perto do polo sul celeste, sua orientação muda bastante ao longo da noite e do ano.

A partir do Brasil

Norte e Nordeste

É a região em que o Tucano fica mais baixo. Em Belém e Fortaleza, 47 Tucanae culmina a apenas cerca de 20° de altura e o centro da constelação a cerca de 27°, no horizonte sul; em Salvador, 47 Tucanae chega a cerca de 31°. Aqui a constelação nasce e se põe. Observe em outubro e novembro, por volta das 21h, quando ela está mais alta; a estação seca do Nordeste ajuda.

Centro-Oeste e Sudeste

Em Brasília e Goiânia, 47 Tucanae sobe a cerca de 34° e a constelação a cerca de 41°; em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a cerca de 41° e 48°. A partir da latitude de São Paulo, 47 Tucanae já é circumpolar, embora passe rente ao horizonte na culminação inferior. Setembro a dezembro trazem a melhor combinação de altura e horário.

Sul

De Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, quase todo o Tucano é circumpolar: tudo o que está ao sul de −60°, incluindo α Tucanae por pouco, 47 Tucanae e a Pequena Nuvem, permanece acima do horizonte o ano todo, e 47 Tucanae nunca desce abaixo de uns 12° de altura. Só a borda norte da constelação, em −56°, se põe por algumas horas. Na culminação superior, de setembro a dezembro, o aglomerado chega a cerca de 48° e o centro da constelação a 55°.

Limitações e cuidados

  • No Norte e Nordeste a constelação só passa de 25° a 30° de altura; prefira locais com horizonte sul livre e escuro.
  • A Pequena Nuvem de Magalhães é difusa e desaparece com Lua cheia ou poluição luminosa; 47 Tucanae resiste um pouco mais.
  • Nenhuma estrela do Tucano é brilhante: sem um mapa ou aplicativo, é fácil confundir a figura com a Fênix ou o Grou.

Leia também: O céu visto do Brasil e Planejar uma noite de observação.

Curiosidades

O Tucano foi introduzido no fim do século XVI a partir das observações dos navegadores holandeses Pieter Dirkszoon Keyser e Frederick de Houtman, feitas em viagens às Índias Orientais, e apareceu pela primeira vez em um globo celeste de Petrus Plancius, em 1598. Johann Bayer o incluiu em seu atlas Uranometria, de 1603. Com o Grou, a Fênix e o Pavão, forma as Aves do Sul (fonte: Wikipedia, verbete Tucana).

A Pequena Nuvem de Magalhães recebeu o nome ocidental em homenagem a Fernão de Magalhães, cuja expedição a registrou ao cruzar o Atlântico Sul, embora povos do hemisfério sul já a conhecessem. Em latim era chamada Nubecula Minor, a "nuvenzinha menor".

47 Tucanae recebe esse nome porque foi listada como a 47ª estrela do Tucano no catálogo de Johann Bode, publicado em 1801, quando ainda era tratada como uma estrela. Hoje sabemos que ele reúne milhões de estrelas, segundo o ESO.

Termos de apoio

Circumpolar

Diz-se do astro que nunca se põe para um observador, porque gira em torno do polo celeste sempre acima do horizonte. Isso ocorre quando a declinação do astro, em módulo, supera 90° menos a latitude do local. Em Porto Alegre, tudo o que está ao sul de −60° é circumpolar. Saiba mais →

Aglomerado globular

Esfera densa de centenas de milhares a milhões de estrelas velhas que orbita o halo da galáxia. 47 Tucanae é o segundo mais brilhante do céu, atrás apenas de Ômega Centauri. Saiba mais →

Galáxia satélite

Galáxia pequena que orbita uma galáxia maior, presa pela gravidade. A Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães são as satélites mais vistosas da Via Láctea e só podem ser bem vistas do hemisfério sul. Saiba mais →

Poluição luminosa

Claridade artificial do céu provocada pela iluminação urbana mal direcionada. Objetos difusos, como a Pequena Nuvem de Magalhães, são os primeiros a desaparecer; por isso o Tucano é uma constelação para locais escuros. Saiba mais →

Fontes consultadas

  1. IAU — The Constellations (página oficial arquivada, com cartas Sky & Telescope e arquivos de fronteira) — abreviação, genitivo, fronteiras de Delporte (1930) e vértices em ascensão reta e declinação (arquivo tuc.txt)
  2. Wikipedia (en) — IAU designated constellations by solid angle (tabela baseada em Delporte, 1930) — área de 294,557 graus quadrados e 48ª posição; fonte secundária, usada para o valor da área
  3. SIMBAD (CDS) — alf Tuc, bet01 Tuc, gam Tuc — magnitudes, tipos espectrais, paralaxes e classificação de α Tuc como binária espectroscópica; distâncias calculadas a partir das paralaxes
  4. SIMBAD (CDS) — NGC 104 (47 Tuc), NGC 362 e NGC 292 (SMC) — magnitudes 4,09, 6,58 e 2,2; diâmetros aparentes de 43,8′, 12,9′ e cerca de 158′ × 93′
  5. ESO — 47 Tucanae visto pelo VISTA (eso1302a) — distância de cerca de 15.000 anos-luz e descrição do aglomerado com milhões de estrelas
  6. ESO — A Pequena Nuvem de Magalhães vista pelo VISTA (eso1714a) — distância de cerca de 200.000 anos-luz, classificação como galáxia anã irregular e visibilidade a olho nu
  7. Wikipedia (en) — Tucana — história (Keyser, de Houtman, Plancius 1598, Bayer 1603), β Tuc como sistema múltiplo e constelações vizinhas; fonte secundária

Consultadas até 20/10/2026. Veja a política editorial.

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